Cantoras brasileiras encantadas com a realidade sócio-cultural angolana

duas vozes sonantes no panorama musical brasileiro: Paula Lima e Maíra Freitas, fi lha do sambista Martinho da Vila, em conversa com OPAíS, manifestaram-se regozijadas por estarem em Angola e fascinadas com os traços sócio-culturais deste país da África Subsariana, sobretudo na beleza, na musicalidade e outros aspectos

As cantoras que participaram na recém-realizada IV edição do concerto “Jazzing”, que teve como mote o empoderamento feminino, sob o tema “Eva Jazz – Jazzing Feminino”, emocionaram-se com o que viram. É a primeira vez que pisam o solo angolano e dizem sentir-se felizes. Sorridentemente, Maíra Freitas referiu que é uma grande emoção estar no seio de gente negra e sente-se à vontade. Realçou que o seu pai, Martinho da Vila, avisou na música “Semba dos Ancestrais”, que se um brasileiro pisar o solo de Angola e o “seu corpo se arrepiar, quando comer funje e o mufete, é porque os seus ancestrais vêm daqui”.

De forma agradável, Maíra conta que sentiu essa sensação, que, para si é como se estivesse em casa. Já no que à musicalidade diz respeito, explicou que não conhece muito, mas sentese maravilhada quando ouve o kuduro e o semba. Assim, Paula Lima, conta que no aeroporto, ao ver o povo angolano, avisou ao seu produtor musical, Bruno, que algo lhe dizia que os seus ancestrais vinham de Angola.

“É impressionante quando se olha para essa nave mãe, Angola, por crermos que saímos daqui, e termos essa identifi cação, essa admiração e esse respeito”, revelou Paula. Para a cantora, que domina o estilo BPM, um outro aspecto que lhe atraiu foi a quantidade de pessoas negras e a beleza dos angolanos. “Não estamos acostumadas a ver tanta gente negra. Isso é tão bom. No Brasil você olha para todo o lado, há muita gente branca. Uma ou outra pessoa é preta.

A não ser que se desloque para a periferia. Eu fiquei impressionada com a cor, o tom de pele, a maneira como tratam do cabelo, a forma de andar e vestir do povo angolano”. Interação das classes sociais No Brasil, segundo Paula Lima, os negros têm uma profi ssão do nível de escolaridade baixa, em geral, e lamentou o facto de ainda existir preconceito. “Aqui olha-se de um lado e vê-se um médico, do outro, um varredor de rua. Vêem-se cabeleireiras e do outro lado, o dono do salão.

Apesar de existir uma discrepância social ou fi nanceira, aqui você vê todos juntos e no Brasil não vemos isso”, lamentou. Maíra Freitas disse ainda, que no Brasil, existe uma separação racial e uma separação social ao mesmo tempo, ao mesmo tempo que reina um falso crer que “estamos todos juntos”.

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