Morbilidade por malária atinge 54 por cento da população na Quilenda

Morbilidade por malária atinge  54 por  cento  da população na Quilenda

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, Adelino Kiluange explicou que a Quilenda, em termos de epidemiologia, é um município meso-endémico, o que quer dizer que a doença tem tendência para subir segundo o estado climatico que o próprio município apresenta. Acrescentou que a malária ocupa o primeiro lugar, ao ponto de assolar quase metade da população, sobretudo nas idades já referenciadas, seguida das anemias e outras doenças.

O técnico de Saúde recordou que a morbilidade tem a ver com a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada em determinado local e em determinado momento. Importa referir que a malária é uma doença parasitária que causa febre alta, calafrios e sintomas similares à gripe. “A malaria até agora é a principal causa de morbilidade no município, afectando cerca de 54 por cento da população”, revelou Adelino Kiluange.

O responsável disse ainda que o seu município possui três unidades sanitárias, constituídas por hospital, centro e posto de Saúde, sendo todas do primeiro nível de assistência, médica e medica mentosa, atendendo uma população de cerca de 109 mil habitantes. As unidades hospitalares apresentam três serviços, medicina, obstetrícia e pediatria, excepto o hospital municipal, que tem os serviços de urgência (banco de urgência 24/24 horas), serviços de laboratório, incluindo a farmácia e os serviços de estátiscas e internamento.

Nenhum caso de Pólio registado

Segundo o responsável, desde a última campanha que o município teve contra a Poliomielite saíram com 79 por cento de cobertura vacinal, não atingindo a meta, que era 95 por cento, devido ao acréscimo da população que, segundo a dinâmica nacional, cresceu 28 por cento acima daquilo que já existia como população no seu município.

“Com a população que tivemos e mais 25 por cento da taxa de natalidade, não conseguimos atingir os 95 por cento. Atingimos apenas 95 por cento de cobertura vacinal. E, graças a Deus, o município não registou nenhum caso de Pólio, na medida em que a Saúde Pública, muito activa, tem feito buscas por todas as áreas pertencentes ao município e, de momento, não temos nenhum caso de Pólio”, afi rmou.

Adelino Kiluange disse ainda que o município da Quilenda tem 57 funcionários que ocupam as três unidades funcionais. Dentre elas, 44 estão no hospital incluindo os enfermeiros, técnicos terapeutas e os administrativos, os restantes estão nos centros e postos, algo que considera como uma gota no oceano, segundo o estatuto orgânico da unidade sanitária.

Dos 57 funcionários, quatro são médicos, três são angolanos e um expatriado de nacionalidade Russa, signifi cando que para 109 mil habitantes, cada um dos médicos atende mais de 20 mil habitantes. Garantiu que, mesmo com essa falta de quadros, estão a conseguir ultrapassar certas epidemias que o município alberga e os casos que não são da sua responsabilidade, como o das cirurgias, são reencaminhados para o hospital geral da província. Aproveitou a ocasião e disse existirem alojamentos para médicos e enfermeiros, com as mínimas condições. Por isso, caso algum médico esteja interessado em trabalhar no seu município, será bem-vindo, porque algumas unidades sanitárias já oferecem casa para os enfermeiros.

Com abertura da estrada aumentaram os casos de traumatismo

O director administrativo do hospital 11 de Novembro disse ainda que, com a abertura da estrada aumentou também o número de acidentes provocados não só pelo excesso de velocidade, mas também pelo desconhecimento do Código da Estrada. Para ele, a construção da nova estrada ajuda, mas os casos de traumatismo tendem a crescer, porque antigamente, sem o tapete asfáltico, as pessoas andavam a 20 ou 30 Km / hora e para chegarem à Gabela faziam três horas e agora faz-se em 20 a 30 minutos. “Temos registado muitos casos de traumatismo.

Este é um dos grandes transtornos, por haver muito boa gente que exagera. Muitos saem de casa e pensam que sabem conduzir uma moto e querem ser motoqueiros, sem conhecer o código da estrada e é então que há acidentes, cujas vítimas são evacuadas para o hospital geral da província”, disse.