Psicóloga considera “resistência” de legalização da ordem tiro no próprio pé do Estado

Psicóloga considera “resistência” de legalização da ordem tiro no próprio pé do Estado

A psicóloga Encarnação Pimenta afirmou categoricamente, ontem, na ocasião de uma conferência de impressa realizada pela Ordem dos Psicólogos de Angola (OPsA), que, ao não reconhecer a instituição desses académicos, o Governo estava a dar um tiro no seu próprio pé. Justificando a afirmação que invocou, a académica alegou que, quando o Governo precisa da ordem para investigar ou contribuir para se acharem as causas, bem como analisar as consequência e traçar soluções viáveis, sobretudo em situações inquietantes como a delinquência, criminalidade, violação doméstica, fuga à paternidade e a outras que assolam actualmente o país, solicita os préstimos da OPSA.

Encarnação Pimenta, que falava na qualidade de integrante da referida organização, asseverou ainda o facto de existir um autêntico paradoxo na postura do Executivo angolano, que, segundo ela, se disponibiliza a gastar dinheiro para os integrantes da ordem se deslocarem ao estrangeiro, onde são incumbidos de representar Angola, sendo que, em contrapartida, o mesmo Estado resiste em reconhecer a legalidade da ordem. Aliás, sobre isso, recordou que as instituições internacionais reconhecem a Ordem dos Psicólogos de Angola, ao ponto de ela e outros colegas da OPsA beneficiarem de direitos que lhes possibilita até leccionar e conferenciar no estrangeiro.

Essa benesse foi, sobretudo, apontada como acontecimento de registo recorrente na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e na CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, além de outros de calibre puramente internacional. A especialista recordou que a luta para o reconhecimento do movimento dos psicólogos começou em 1995, quando, na União dos Escritores Angolanos (UEA), os especialistas dessa área fizeram ecoar os primeiros gritos de socorro nesse sentido, enquanto Associação dos Psicólogos de Angola, uma pretensão que, depois de muito ser “abandalhada”, os académicos retomaram de forma mais oficial em 2010, numa das faculdades da Universidade Agostinho Neto, já na proclamação da ordem.

Por isso, a professora universitária não entende como é que o mesmo Governo que reconhece a OPsA como uma instituição prestável aos interesses da Nação resiste à sua legalização. Embora tenha consentido que a ciência seja a extensão da política, Encarnação Pimenta lembrou que a tendência de se politizar a actividade científica, que considera ainda muito visível no país, pode comprometer o alcance de muitas soluções necessárias para se pôr fim a certos conflitos sociais.

Foi nessa altura que o psicólogo Carlinho Zassala, que partilhava a tribuna com Encarnação Pimenta, aludiu ao facto de, em todos os problemas sociais, ter de ser importante encontrar causas do fórum psicológico, aplicando-se o mesmo raciocínio aos dilemas económicos. “Até os problemas económicos desembocam nos de fórum neurológico. Por outra, é bom saber que a corrupção que o país vive não está à margem dessa causalidade, porque resulta da perda de valores morais ou então da crise moral”, observou o docente universitário.