Carta do leitor: É so coragem…….

Estimado director, dr Bom dia e continuação de boa semana. O Titulo da minha carta está relacionado com a vida difícil e terrível que levamos. Está tudo super caro, até as coisas mais baratas, como o ovo, actualmente um cartão custa três mil e quinhentos kwanzas.

O preço de tudo subiu assustadoramente, sobretudo da alimentação e medicamentos. Para o combate ao paludismo, o Coartem está entre 3.800.00 e 4.000.00 Kwanzas. Isto sem falar de outros acompanhantes como a amoxiciclina, Nalotil, paracetamol e outros. Com os milhões e milhões de mosquitos que não se comparam a qualquer exército, lixo, charcos e outros que contribuem para o agravamento da situação, o destino seguro começa a ser mesmo o cemitério.

Os hospitais estão em marimbinzas. As unidades públicas, os ditos do Estado, estão de rastos. É só ficar doente ou ter lá um familiar ou amigo e vais ver o diabo a assar sardinhas. Muito sofrimento.

Muito infortúnio. Aliás, hoje, conhecemos melhor o campo santo do que o código da estrada. Está impossível não acompanhar um funeral por mês. Eu, por azar, estou quase todas as semanas nos óbitos e cemitérios.

O Cemitério do Benfica, por sinal o maior, acredita que no próximo ano não terá espaço para ninguém. São enterros atrás de enterros. Está muito duro e os truques para aguentar começam a diminuir. Imagino os trabalhadores do salário mínimo e, pior, os desempregados.

A caixa com trinta coxas custa 10.000.00. Kwanzas. Como a maioria não tem poder de compra, três pessoas associam uma caixa e cada uma leva dez coxas para aguentar o mês. Estamos numa autêntica frente de combate para evitar a morte e salvaguardar a vida. Agora é só orar e rezar que o executivo consiga inverter paulatinamente o quadro a partir do próximo ano.

Oxalá que comecemos a sentir os efeitos. Reconheço que não será fácil, mas também compreendo que não temos outro rumo que não seja este. É preciso continuar a fazer as reformas que assistimos. São duras, mas vão trazer alegria.

O que é preciso é não deixar que o país fique na balbúrdia e na bandalha. Enfim, entregue à bicharada como antes. O mais importante não era resolver os problemas do povo. Era resolver a vida de meia dúzia de chicos espertos, que nada queriam saber do povão. Lutemos todos pelo desenvolvimento e bem-estar.

Temos a premissa fundamental, o homem. E temos um território vasto em riquezas naturais e com terra fértil da cabeça aos pés. Vamos trabalhar de forma séria e árdua sem dar espaço aos que querem uma Angola só para eles. Tio Kanzala

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