Grupo Ndimbu Danças de Angola mostra relevância dos rituais no seu aniversário

Grupo Ndimbu Danças de Angola mostra relevância dos rituais no seu aniversário

O grupo de dança tradicional Ndimbu Danças de Angola, oriundo do município do Cazenga, celebra o seu 13º aniversário com a exibição da obra “Ritmos e rituais”, a ser realizada a 20 do corrente mês, na Liga Nacional Africana (LAASP), em Luanda. A presente peça criada com o objectivo de assinalar o aniversário do grupo no dia 22, será mostrada através da técnica pantomima (técnica da utilização de gestos ou expressões sem o uso de palavras).

A mesma retrata a história de um casal que sofre com o passamento físico dos seus filhos, em consequência do incumprimento dos rituais, designadamente o alambamento e o efikó (iniciação feminina), que consiste na preparação da mulher para a vida futura, praticado pela etnia bantu. O grupo vai descrever os momentos de aflições vividos pelo casal, que terá de procurar ajuda em vários lugares, para assim desmistificar as ocorrências, uma vez que desconhecem a sua origem.

Através de sons dos instrumentos musicais acústicos, como o batuque e a marimba, o conjunto vai fazer um casamento entre os vários tipos de danças e rituais tracionais, como a Xinguilamento“ (comunicação entre um indivíduo da comunidade com os espíritos dos seus antepassados), conhecido como a “dança da cura e da libertação”.

Neste processo, será ainda praticada a dança Tchianda, da cultura Côkwe, entre outros tipos de bailes. Para tal, foi necessário a realização de pesquisas de campo, dos diversos ritmos e rituais existes no país. Com a presente exibição, conforme contou o director do grupo, Adriano de Freitas, pretende chamar a atenção dos cidadãos para a importância do cumprimento dos rituais e das suas consequências. Sobre a técnica com a qual será apresentada a obra, avançou ser um dos primeiros grupos no país a praticá-la, um desafio em que que pretenderam se cingir.

“Vamos apresentar tudo isso apenas com gestos e danças, conforme a técnica da pantomímica exige. Por isso, decidimos abraçar esse desafio. Daí, o facto de procurarmos a ideia de fazer algo inédito, uma vez que começamos a pesquisar os outros grupos, como o Ballet Tradicional Kilandukilu e o de Ballet Nacional de Angola, e verificamos que nenhum ainda conseguiu fazer uma obra somente com gestos e passos de danças”, contou.

Outorga

Durante o evento haverá ainda o momento de outorga aos colaboradores com quem trabalham directamente. Trata-se das professoras Ana Maria Vieira Dias e Liseth Rodrigues, assim como o bailarino Euclides Calala que têm contribuído para o crescimento do grupo

Formação

O conjunto que foi vencedor do concurso “Kukina”, promovido pela LAC- Luanda Antena Comercial, no segundo semestre do ano em curso, mereceu três bolsas de estudos, no domínio da dança, que será efectuada no próximo ano, no Egipto. Por essa razão, bailarinos deste grupo deslocar-se-ão àquele país, para assim concretizarem a Licenciatura em Dança Contemporânea, na especialidade de Dança Afro-contemporânea. “Quando vencemos o concurso a delegação do Ministério da Cultura, que esteve presente no evento, gostou da nossa actuaçao e ofereceu-nos essas bolsas, para assim melhorar e capacitar os nossos artistas”, disse.

Projecto

Para o próximo ano, o agrupado que tem desenvolvido trabalhos com o Colégio Aurora Internacional pretende implementar as danças folclóricas dentro do plano curricular, para que os estudantes possam ter contacto com os vários estilos dançantes, ritmos e os rituais.

“É um colégio que tem abraçado as danças folclóricas. Por isso, lançamos o desafio aos outros colégios, que tenham o interesse de trabalhar com o nosso grupo, a fim de fazer com que o processo de inclusão cultural faça parte do ensino e aprendizado”.