“Capacita Angola” cria sorrisos instruindo crianças com necessidades especiais em Benguela

Com a duração de seis meses, o projecto filantrópico “Capacita Angola – Benguela” teve a sessão de encerramento na passada Sexta-feira no Complexo Escolar do Ensino Especial de Benguela, apresentando-se resultados significativos no incremento da qualidade de vida, especialmente, educativa, das crianças com necessidades especiais.

Por: Zuleide de Carvalho, em Benguela

Fruto da parceria entre o Centro de Desenvolvimento Infantil “Kuzola Mona” e o Banco Económico, surgiu o projecto “Capacita Angola – Benguela”. Por ser o piloto dessa empreitada, o foco foram 22 crianças e 22 professores. As crianças alvo merecem uma atenção diferenciada que nunca haviam recebido, por carecerem de necessidades educativas especiais com base nas barreiras cognitivas que detêm, sendo vital reinventarem-se estratégias de ensino e aprendizagem totalmente personalizadas.

Capacitar no presente para garantir um futuro inclusivo

Tendo notado a existência desta lacuna na sociedade, o Banco Económico chamou a si o compromisso de incrementar as bases e conhecimentos dos professores do Complexo Escolar do Ensino Especial de Benguela, envolvendo-se na causa. “Somos um dos parceiros, investimos efectivamente, estamos com os professores, vamos às visitas domiciliares, fazemos parte da equipa que desenvolveu o projecto”, enunciou, em nome do banco, Katyana Mil-Homens, directora da área de responsabilidade social. O programa resume-se em formações personalizadas para os pais e educadores, com centralização nas necessidades específicas de cada um dos seus filhos, considerando-se os diferentes níveis de autismo que detêm, e o Síndrome de Down.

Para promover verdadeira mudança na vida das crianças portadoras de doenças que afectem o seu foro neurológico, é imprescindível a cooperação entre a “família, escola e sociedade”, apelou a directora da Escola do Ensino Especial, Cláudia Joaquim. Sendo visível o desenvolvimento cognitivo nos 22 alunos seleccionados, bem como a sólida especialização que os professores agora detêm, não só no diagnóstico, como também na resposta ao autismo, Cláudia Joaquim diz sentir-se orgulhosa. Entre ciências e temas com cunho científico, foram leccionados e apresentados: Psico-pedagogia, Neuro-psicopedagogia, Desenvolvimento da Escrita, Adaptação Curricular nos Transtornos de Aprendizagem, Autismo, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperactividade, Sistema Sensorial e seus Transtornos. Enquadradas no programa estiveram também visitas à Escola do Ensino Especial do município da Ganda, houve a oferta de donativos às 22 crianças alvo de apoio directo e, formações paralelas a mais de 250 professores.

O Papel do professor capacitado…

Quando deparados com as crianças com necessidades educativas especiais, petizes que são parte do futuro do país, a missão ficou clara: potencializá-las ao máximo, não só para a sua felicidade, mas também para autonomia e sucesso. O quadro de professores do Complexo Escolar do Ensino Especial de Benguela ainda contém docentes que não se licenciaram em necessidades educativas especiais. Todavia, sempre que há recursos são alvo de acções formativas.

Terminada a agenda do “Capacita Angola – Benguela”, o compromisso de honra da escola beneficiada é reforçar a partilha dos ensinamentos adquiridos pelos 22 professores formados, com os demais 43, reunindo-se aos Sábados. A ajuda veio em boa hora, porque, para além de haver no quadro de efectivos professores não especialistas, as metodologias e o know-how pediam por um upgrade, com base em técnicas profundas praticadas mundialmente. “No início, tínhamos diagnosticados 22 autistas”, dentre as 750 crianças matriculadas em 2019. Revelando algumas das lacunas agora superadas pelo corpo docente, os seis formadores que os instruíram diagnosticaram o dobro do número anteriormente conhecido.

Segundo a directora Cláudia Joaquim, “depois da triagem feita (pelos formadores especialistas), chegamos à conclusão que já estamos em 64 (alunos autistas).” Porque, “o autismo tem níveis. Nos mais leves, fica mais difícil diagnosticar”, admitiu.

Pais desconheciam que filhos são autistas

“Muitos pais não sabiam que os filhos são autistas e, infelizmente, batiam-lhes quando tinham crises, por pensarem que era birra. Realizaram-se visitas domiciliares às famílias das 22 crianças, com a finalidade de constatar os conhecimentos adquiridos e modificar as práticas, modos de pensar e entendimento sobre o comportamento das crianças”, informou a directora da escola.

Conhecendo as carências que a Escola do Ensino Especial tem, com 65 professores, para mais de 700 alunos com algum tipo, ou vários em simultâneo, de deficiência, pediu “que o projecto fosse extensivo a todos”. O representante dos pais das crianças abrangidas declarou que os “temas nos ajudam a cuidar melhor dos nossos filhos.” De agora em diante, espera por mais iniciativas, “para que possamos ter um ensino verdadeiramente inclusivo”.

A falta de instrução, ignorância ou mesmo preconceito, terão levado imensos pais a assumir uma postura severa, inclusive e lamentavelmente violenta, face às limitações dos filhos. Felizmente, agora capacitados, essa má conduta ficou para trás.

Graças ao “Capacita Angola – Benguela”, salientou o representante dos encarregados de educação, “muitos de nós tomaram contacto, pela primeira vez, com a situação real do filho, sobre o Síndrome de Down e dificuldades de aprendizagem”. Os resultados são difíceis de medir, ocupam, certamente, o patamar da imensurabilidade, tanto para a escola, como para a sociedade, especialmente para as crianças, que, melhor compreendidas, são mais felizes e têm maior auto-estima. Da mensagem lida com gratidão, por uma aluna portadora de deficiência cognitiva, a lição para a sociedade é: “se uma criança não pode aprender da maneria que ensinamos, devemos ensinar de maneira que ela aprenda”.

O Pais

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