Cimeira do clima chega a acordo

A Cimeira do Clima da ONU já tem documento final acerca da ambição climática em 2020 e do cumprimento do Acordo de Paris, que limita os países no sentido de impedir a subida da temperatura média do planeta neste século acima de 1,5 graus

O acordo, intitulado “Chile-Madrid, hora de agir”, foi alcançado quase dois dias depois da data marcada para encerrar a conferência COP25. O documento foi aprovado pela presidente da COP25, a chilena Carolina Schmidt, após um tenso debate com o Brasil, que inicialmente não aceitou dois parágrafos incluídos no acordo sobre oceanos e uso da terra. O acordo final da COP25 estabelece que os países terão de apresentar em 2020 compromissos mais ambiciosos para reduzir as emissões (as chamadas Contribuições Nacionais Determinadas) para enfrentar a emergência climática. O conhecimento científico será “o eixo principal” que deve orientar as decisões climáticas dos países para aumentar a sua ambição, que deve ser constantemente actualizada de acordo com os avanços da ciência. O texto inclui “a imposição” de que a transição para um mundo sem emissões tem de ser justa e promover a criação de emprego. E também reconhece a acção climática de actores não-governamentais, a quem convida a aumentar e generalizar estratégias compatíveis com o clima.

Brasil quase bloqueou o acordo

Ao negar-se inicialmente a reconhecer o papel que os oceanos e o uso da terra têm nas alterações climáticas, o Brasil quase bloqueou o acordo. A presidente da cimeira, a ministra chilena Carolina Schmidt, submeteu na manhã de ontem a votação o acordo político e principal da conferência e chegou mesmo a dá-lo como aprovado. Mas pouco depois, o Brasil pediu a palavra para dizer que tinha dúvidas em aprovar um texto no qual se incluem referências ao papel dos oceanos e do uso da terra (referido em vários documentos científicos nos últimos meses) no clima global. A intervenção do representante brasileiro provocou uma série de protestos e de respostas sobre a importância dos oceanos e da terra no clima. Intervieram contra a proposta do Brasil de eliminar esses parágrafos os representantes da Indonésia, Costa Rica, Tuvalu, Belize, Austrália, Nova Zelândia, Ilhas Marshall, a União Europeia, o Egito, o Canadá, a Argentina, o Butão, a Suíça e a Rússia, que pediram à delegação brasileira que renunciasse ao pedido para não bloquear o acordo.

Entre os países que tomaram a palavra para defender esse papel dos oceanos e da terra esteve a Espanha, com a ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, a destacar a importância de manter esses parágrafos e da mensagem ao mundo sobre a importância que têm os oceanos. A presidência da COP pediu duas vezes ao Brasil para que não bloqueasse o acordo, mas o representante brasileiro, numa primeira intervenção, disse que não podia aceitar os parágrafos porque “minavam” o resto do texto, que no seu conjunto era “muito importante”. No entanto, perante a insistência da presidente chilena o Brasil acabou por comunicar formalmente que aceitava o acordo na integra, um anúncio recebido com aplausos.

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