Dirigente da FNLA discorda da realização do V congresso

O conflito de liderança que a FNLA vive, há 22 anos, poderá não ter o desfecho esperado, mesmo com a possível realização do V congresso ordinário, que se pretende, depois de ter sido adiado por “razões técnicas”

Por:Ireneu Mujoco

Este é o pensamento do membro do Comité Central deste partido Fernando Pedro Gomes, que disse ser ilegal a realização do conclave que estava previsto para os dias 12 e 13 deste mês. Ele, que é um dos dirigentes que lidera uma ala, de entre as várias que compõem este partido, derivadas de divergências com o actual líder, disse que o conclave que se pretende é para o presidente do partido, Lucas Ngonda, “perpetuar a sua liderança ilegal”. Em declarações recentes a OPAÍS, Pedro Gomes afirmou que Lucas Ngonda está a liderar o partido de forma ilegal, depois de ter chegado ao fim o seu mandato como líder legítimo da FNLA há mais de um ano.

Disse que Ngonda está ilegal na liderança da FNLA e o congresso convocado por si também seria ilegal, caso fosse realizado, apesar de não ser electivo. Pedro Gomes, cujo grupo que lidera realizou um congresso extraordinário em Junho do ano passado em Luanda, mas ainda não homologado pelo Tribunal Constitucional, acusa Ngonda de “afundar” o partido para fins inconfessos. O entrevistado deste jornal discorda da realização do V congresso ordinário, sem a reunificação do partido, ou seja, sem a presença de outros segmentos que não assinaram o denominado Pacto de Entendimento, ocorrido a 25 de Outubro do ano em curso. O político alegou que o referido acordo é apenas “para inglês ver”, pelo facto de as outras alas que defendem a reunificação do partido não se reverem nele, por estar eivado de irregularidades.

Cepticismo

Pedro Gomes mostrou cepticismo quanto a uma eventual renúncia de Ngonda à liderança da FNLA, depois do congresso, como garantiu, a quem acusa de “nunca honrar a sua palavra”. Mas o que mais preocupa o entrevistado é o facto de a FNLA poder participar fragilizada nas eleições autárquicas e nas eleições gerais, em 2020 e em 2022, caso prevaleça a desunião, realçando que poderá ditar o seu fim como partido político.

Adiamento do congresso

Em comunicado enviado à imprensa, dois dias antes do conclave, a comissão preparatória dizia ter constatado falhas técnicas, e decidiu adiar (sine die) o aludido acto. A mesma nota acrescentava que a direcção do partido anuiu a petição da comissão preparatória, e numa das suas passagens dizia ter informado “aos militantes, membros do Comité Central e aos delegados eleitos nas assembleias provinciais, em particular”, que estava adiada a realização do V congresso ordinário do partido, para uma data a anunciar oportunamente. O seu porta-voz, Jerónimo Makana, em declarações a este jornal, explicou que o referido congresso não seria electivo, mas para “legalizar uma direcção transitória para o partido”, e o líder Lucas Ngonda continuaria na direcção durante catorze meses.

Este assunto terá sido acordado pela comissão de negociação que assinou o Pacto de Entendimento em Outubro, entre a direcção da FNLA e duas cisões lideradas por Carlito Roberto e João Nascimento Fernandes. Findo esse período, fazendo fé nas declarações da fonte, realizar-se-ia um outro congresso extraordinário sem a participação de Lucas Ngonda. “Por uma iniciativa própria, o presidente Lucas Ngonda entende que, terminada a transição, ele vai abandonar a vida política activa e, desta forma, nós vamos tocar com o partido com a eleição de um novo líder”, explico

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