Investigação e condições

Já critiquei a Polícia, ou quem lhe deve prover meios para trabalhar, por não conseguir uma actuação verdadeiramente preventiva e dissuasora do crime. Também já repeti várias vezes que o Estado não dá à investigação criminal os meios necessários para o seu trabalho, tal como já me referi ao estrago que os maus elementos fazem na imagem da corporação. Falando de investigação, basta ver as condições em que trabalha o SIC, o nosso Serviço de Investigação Criminal, quem mantém aqueles homens e mulheres a trabalhar nas condições em que trabalha não pode estar verdadeiramente interessado no combate ao crime. E isto vê-se em Luanda e em toda a parte. Mas quando acontecem episódios como os da criminalidade violenta dos últimos meses, porque todos temos medo, lá viramos os olhos para a Polícia, para o SIC, exigindo, ou rogando da sua parte acção que ponha fi m à acção dos bandidos. Aí até alguns meios necessários aparecem. Poderiam fazer mais por nós? Sim, com os devidos meios. Há capacidade investigativa (pelo menos intelectual) para o tipo de criminoso violento que actua em Angola? Há. E a prova é que o SIC, sempre que tem os meios necessários, os vai apanhando, como aconteceu agora com os assaltantes que mataram pessoas nas ruas. Já para os barões das drogas, são necessários outros meios, espero que os tenham. Correm vídeos que demonstram que o SIC chega até aos esconderijos das armas, que os apanha mesmo nos bairros sem nome, rua sem nome, casa sem número e tratandose de bandido sem bilhete de identidade, sem registo de nascimento, é lidar com fantasmas. Mas os agentes chegam lá. O problema dos meios está na sofi sticação da organização que a Polícia deve combater. O crime organizado existe, aliás, todas as semanas a Polícia anuncia o desmantelamento de redes ou grupos. E ainda têm de lidar com aventureiros dispostos a tudo e em todo o lado, sabendo-se agora que os assaltantes que mataram um segurança no Huambo são também os que dias antes tinham executado um homem na ponte de Cacuaco. Há dias em que não podemos deixar de dizer um bem-haja aos agentes da ordem.

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