Quando se casa para “engordar” a estatística da igreja e a reputação da família

Disse ter ouvido muitos relatos de casais sobre tal, daí que propõe às referidas instituições sociais que optem por respeitar a liberdade e consciência dos jovens

Por:Alberto Bambi

O psicólogo Mariano Tchipita Jamba Duende lamentou o facto de muitos jovens se verem obrigados a casar para não perderem o protagonismo que ocupam na igreja ou o prestígio que detêm na família, ao ponto de serem essas duas instituições sociais a imporem e chantagearem os casais, segundo disse ter sabido de alguns noivos entrevistados por si. Aliás, revelou ter sido também por causa de desabafos de recémcasados, perguntas de noivos e namorados, bem como dos preconceitos tradicionais que movem em torno do matrimónio, em Angola, em particular, e de modo geral em África, que escreveu e lançou a sua mais recente obra, intitulada “Casamento – Espinho ou Rosa”, em que, de forma directa ou indirecta, faz alusão a esse fenómeno. No livro em que se debruça sobre o facto de muitos pais se preocuparem em preparar o casamento para os filhos, ao invés de prepararem os mesmos para o casamento, o autor ressalta a necessidade de uma preparação dos noivos e das famílias.

“Isso quer dizer que a maior intenção dos progenitores tem estado mais voltada para o lado material do que naquilo que poderia perpectuar o casamento”, aludiu o psicólogo, para quem a suposta pressão ou imposição da igreja e da família, narrada sobretudo pelos jovens, não fica aquém do que acabava de evocar. Mariano Tchipita admite que as coerções em causa dificilmente são dadas de forma directa pelas instituições acusadas, de modo a não deixar clara a sua intenção primária, mas que o efeito acabava por revelar o dito pelo não dito. Destacou o casamento como a união livre e consciente de um homem e uma mulher com objectivo de estabelecer plena comunhão de vida.

“Logo, se tivermos em conta o próprio conceito, podemos dizer que, enquanto sacramento, o matrimónio não pode ser imposto e muito menos por conveniência ou mesmo por conivência, mas, sim, por livre e espontânea vontade do casal”, declarou. Se, na verdade, for imposto, estaremos perante um fiasco ou uma relação que, num futuro muito breve, não teria pernas para andar, porque não terá sido de iniciativa dos dois, disse a OPAÍS o seu interlocutor, que acrescentou que a família, enquanto pilar da sociedade, tem esse papel de preparar o enlace, criando uma base sólida sobre a qual poderá assentar essa união, cujo processo dificilmente se dá por terminado.

Relativamente às investidas que são atribuídas à igreja, o académico não descartou a existência de uma certa pressão por parte dessa instituição social, se a base da realidade de tais acusações se cingir aos relatos das consideradas personagens directas do matrimónio. “A igreja deve, por intermédio do evangelho, mostrar qual é a vantagem que tem o casamento, porque existe muita gente que contrai o matrimónio sem saber da sua real finalidade”, realçou o entrevistado, que recorreu aos ditos, segundo os quais, “Quem não sabe o que procura, não entende o que encontra”, para concluir que os jovens deviam saber que se casam para estabelecer a comunhão de vida.

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