Abolição de aulas em época de prova pode melhorar aproveitamento escolar

Abolição de aulas em época de prova pode melhorar aproveitamento escolar

O pedagogo António Pacavira, presidente da Associação Nacional de Ensino Privado (ANEP), declarou, ontem, a OPAÍS, que a abolição da realização de aulas em época de provas poderá contribuir significativamente para que os estudantes tenham melhor aproveitamento escolar. A abertura oficial do ano lectivo 2020 acontece no dia 31 de Janeiro, porém, o início das actividades lectivas está previsto para o dia 5 de Fevereiro e o seu término para o dia 18 de Dezembro do mesmo ano, de acordo com documentos a que OPAÍS teve acesso.

Ao voltarem a fazer a gestão pedagógica, no sentido de realizarem as provas neste modelo, o nosso interlocutor diz que “com isso, o rendimento dos alunos certamente será melhor, até por várias razões, como do ponto de vista da atenção. Isto vai permitir que eles [os estudantes] tenham resultados muito melhor”.

A prática de realização de aulas normais em época de provas foi implementada há anos com a entrada em vigor da reforma educativa. Na época, o MED impôs que todas as instituições escolares avaliassem os alunos e simultaneamente realizassem aulas. “Isso não rendeu. Foi demostrado por vários aspectos, por nós, particularmente, do ensino particular, que não era uma boa solução porque os alunos não se concentravam o máximo para as aulas, como também afectava o seu rendimento, a sua concentração e a sua atenção e até a emoção por altura das provas”, frisou.

Para António Pacavira, esta medida, adoptada pelo Decreto Executivo nº 04/017, de 3 de Dezembro, pelo MED, é bastante assertiva, por possibilitar o regresso à primeira forma, que é bem mais rentável para os estudantes. Neste contexto, as semanas de avaliação ou de provas servirão somente para esse fim, o mesmo acontecerá com as semanas lectivas. No entanto, contou que essa antiga ordem do MED, de não existir interrupção das aulas em dias de provas, foi alvo de resistência em certos sectores da educação, que consideravam, que seria prejudicial para os estudantes.

“É uma prática que já existia no passado e que existe no presente também por resistência do próprio ensino particular, que preferia iniciar as provas sem interrupção das aulas”, frisou. O aludido calendário escolar é aplicável a todas as instituições dos subsistemas da educação: o pré-escolar, ensino geral, ensino secundário técnico profissional, educação de adultos e formação de professores no nível do ensino secundário pedagógico.

O documento que vimos citando diz que o Calendário Escolar Nacional influência a planificação e a gestão de todo o processo docente educativo dos subsistemas acima mencionados. Reserva sete dias úteis para a avaliação do rendimento escolar no primeiro e no segundo trimestre, por exequível a calendarização de uma ou de duas provas por dia, “conforme o coeficiente de fadiga que as diferentes disciplinas podem provocar”.

Esclarece que para o primeiro e segundo trimestre foram reservados duas semanas de pausa para os alunos, de forma a permitir melhor articulação entre as actividades docente-educativas. No terceiro trimestre/período, o prazo destinado à realização da avaliação mantem-se. Entretanto, aumenta-se o tempo destinado à classificação e aos conselhos de notas, devido ao facto de, nesse período, se realizarem provas de escola, provas globais, exames de aptidão profissional, exames e exames de recurso/especial. “O sucesso do processo de ensino-aprendizagem também depende da boa gestão do calendário escolar”, diz o documento.