Huila premeia as melhores reportagens do ano e homenageia jornalistas veteranos

Huila premeia as melhores reportagens do ano e homenageia jornalistas veteranos

Cinco milhões de Kwanzas é o valor que o jornalista do Centro de Produção da Huíla da Televisão Pública de Angola (TPA), Baptista João, receberá, ao ser galardoado, Segunda-feira, no Lubango, com o “Prémio de Jornalismo Huíla – 2019”. O repórter venceu, igualmente, na categoria de Televisão, com uma reportagem que retrata as potencialidades turísticas da região, particularmente das grutas de ondimba, no município da Humpata.

Na categoria de imprensa venceu o jornalista João Katombela, do jornal OPAÍS, com uma reportagem sobre o negócio da pele de bovinos que sustenta dezenas de famílias. “Uma vez que 2019 foi um ano em que o Sul do país registou a morte de milhares de cabeças de gado bovino, os criadores saíram a perder e essa foi uma forma de aproveitamento”, frisou.

Conforme noticiou OPAÍS na edição de ontem, o jornalista considera a atribuição do galardão como o reconhecimento de todos os esforços que tem despendido na recolha de informação para informar a sociedade. “Nunca me passou pela cabeça ganhar este prémio. Alias, a natureza do jornalismo a que me emprestei deixou-me sempre céptico, uma vez que abordo assuntos que podem beliscar as relações entre o jornalista e algumas figuras da nossa província”, frisou.

Para sustentar a sua afirmação, enfatizou que por vezes aborda assuntos que até então eram considerados de “consumo proibido”. Com a atribuição deste prémio, o profissional diz sentir-se obrigado a fazer muito mais. “Ainda existem assuntos que merecem a atenção de todo o jornalista. No OPAÍS, tenho a obrigação de ser o primeiro a ir buscar estes assuntos e trazêlos ao conhecimento do público”, frisou. Já na categoria de Rádio, a laureada é a jornalista Antónia Kuzanga, da RNA. No fotojornalismo foi distinguida Arimateia Baptista, das Edições Novembro-EP, e na categoria Revelação venceu Cândido Samukepe, da Palanca TV. Com excepção do vencedor do grande prémio, que receberá a quantia de cinco milhões de Kwanzas, os das demais categorias receberão, cada um, 150 mil kz.

O regresso de um estímulo

Depois de cinco anos de interrupção, por falta de verbas, o Governo da Província da Huíla anunciou, para este ano, o relançamento do prémio local de jornalismo. A comissão organizadora arrancou c a 15 de Julho com a recolha das candidaturas dos jornalistas interessados a concorrer ao referido prémio, que tem como objectivo reconhecer a excelência dos profissionais da província. Em entrevista ao jornal OPAÍS, na ocasião, o presidente do júri, Joaquim Gonçalves, recordou que o concurso ao longo dos anos já galardoou vários profissionais.

De referir que é um concurso social, gratuito e sem taxa de inscrição, cuja promoção está a cargo do Governo local. Ao falar sobre a importância do prémio, o também antigo director da emissora provincial da Huíla, do grupo Rádio Nacional de Angola, referiu que a província, em particular o município do Lubango, tem sido palco de várias obras viradas para a sua requalificação, o que vai culminar com a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

“É com este sentimento que pretendemos, este ano, realizar o prémio de jornalismo. A actividade jornalística é fundamental para contribuir na aceleração do crescimento da província”, frisou. No conjunto de profissionais que compõem o grupo de jurados constam Manuel Fernandes, jornalista da Angop, Rosa Gonçalves, antiga directora provincial da Comunicação Social, Benjamim Faro, realizador de televisão, Sandra Borges, gestora, Emerciana Sanumbutue e o Joaquim Gonçalves.

O prémio local de jornalismo foi instituído em 2004 com o apoio do Governo local. A primeira edição foi ganha pelo programa “Repórter de Rua”, da Rádio 2000 Antena Comercial, do Lubango, conduzido pelo então repórter Machel da Rocha. Anos depois, a premiação passou a ser da responsabilidade da empresa de consultoria Interserviços, que anualmente atribuía como prémio um valor de 15 mil dólares americanos ao vencedor.