Carta do leitor: O Estado nunca responde

Carta do leitor: O Estado nunca responde

Caro director do jornal OPAÍS, Eu não sei se o cidadão deve mesmo respeitar o Estado ou o Governo, porque o Governo não nos respeita. Eu dei entrada a uns documentos para o direito de superfície e autorização de obras num terreno na zona do Ramiros desde o tempo do governador Kapapinha, em Luanda, até hoje não tive resposta, mas vejo que o terreno já está a ser comido por outras pessoas. Eu quero tudo legal, mas o Estado quer que eu faça tudo na ilegalidade.

Felizmente, tenho onde morar, numa casa que, no entanto, só há pouco tempo consegui, mas se tivesse tido resposta antes, de certeza que aquela seria a minha casa. Paguei os selos, dei entrada no Governo Provincial, na Administração Municipal e até na capitania do Porto de Luanda, ninguém responde. Este Estado é mesmo sério?

Se calhar, ou já venderam o terreno a terceiros, ou um dia vou ficar a saber que está com um dos chefes ou ex-chefes destas instituições. E se eu recorrer aos tribunais, também já sei que vai demorar anos até ter uma resposta. Ou tenho de ser bruto? É nisto que o Estado nos quer tornar. Já voltei a escrever, agora ao governador Rescova, só quero ver quanto tempo vai demorar a resposta ou se um dia vou receber a resposta.

Nós, o povo angolano, temos muita paciência, porque isto não é um caso de falta de efi ciência das instituições como se elas fossem máquinas, é dos operadores das máquinas, que não têm qualquer vontade de resolver os problemas do povo, ainda mais quando és mesmo povo, porque entre eles, como estamos a ver no combate à corrupção, os processos sempre andaram muito depressa, para ficarem com o que não lhes pertence ou para aplicarem o dinheiro que alguns roubaram.

 

Baptista Almeida

Luanda