Cunene continua a precisar de ajuda alimentar

Cunene continua  a precisar de ajuda alimentar

O responsável fez estas declarações à imprensa nesta Quinta-feira, 19, momentos depois de o Governo da Província do Cunene ter recebido o segundo lote de donativos de bens alimentares e não alimentares doados pela Igreja Tocoísta para acudir as populações afectadas pela seca severa que assola a província. Édio Gentil disse que, apesar de a província estar a receber chuvas, as mesmas não vão resolver a fome, a curto prazo, pelo facto de as sementes a serem lançadas à terra para produzir alimentos poderem demorar algum tempo para germinar.

Por isso, reforçou, a província vai continuar de mãos abertas a receber donativos não só consubstanciados em géneros alimentícios, mas também outros, para contrapor as inúmeras dificuldades por que passam as populações locais. Disse estarem afectadas 178 mil famílias, sendo 857 mil pessoas em toda a província e que precisam de alimentos e água. Aliás, no que concerne à agua, segundo avançou o vice-governador, foram abertos vários furos que vão servir pessoas e animais.

Esta semana, como avançou este jornal, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo(Os Tocoistas) levou para Ondjiva, a capital da província, setenta toneladas de bens alimentares diversos. O responsável destacou, por outro lado, os apoios que a província tem recebido do Governo Central, consubstanciados em meios agrícolas para permitir a agricultura de subsistência, numa altura em que está a chover nos últimos dias. Este jornal apurou de fontes ligadas à Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) que a seca que assola a província do Cunene nem poupa as plantas resistentes como o massango e a massambala. Além das pessoas, o gado bovino,

Considerado como a maior riqueza das comunidades rurais desta província, também está afectado pela seca, mas a situação poderá ser melhorada com a limpeza dos reservatórios da água, conhecidos genericamente por chimpacas. Até Maio deste ano, segundo dados avançados pelo governador provincial Vigílio Tyova, haviam
morrido, devido à seca, mais de 20 mil animais, entre gado bovino, caprino e suíno. Os dados foram revelados num informe ao Presidente da República, João Lourenço, durante uma visita efectuada à província do Cunene em Maio e que serviu para constatar os efeitos nefastos provocados pela seca.