Abate de tartarugas deixa ecossistema em risco

Abate de tartarugas deixa ecossistema em risco

A afirmação é do presidente da Comissão Executiva da Angola Cables, António Nunes, que também abraçou o projecto Kitabanga, que se dedica à preservação de tartarugas, com vista a contribuir para a concretização dos seus objectivos. Salientou que esse animal normalmente não fazia parte da dieta alimentar dos pescadores, porém, passou a fazê-lo

Por:Maria Teixeira

As justificações para a morte deste animal, cuja recuperação demora, no mínimo, entre 20 e 30 anos, podem ser várias, mas o certo é que para as pessoas que se dedicam a sua protecção não é recomendável e alertam que se está a pôr em causa o ecossistema. No Sangano, em Cabo Ledo, município da Quiçama, António Nunes e a sua equipa desenvolvem um projecto de preservação dos ninhos de tartarugas que acorrem à superfície nesta época do ano para a desova. “Nós somos sponcers. Participamos na protecção das tartarugas marítimas da costa nacional. Achamos que é um projecto bastante relevante, pelo facto de se estar a destruir o ecossistema das tartarugas”, disse.

De acordo com o nosso interlocutor, se as tartarugas forem extintas de uma determinada praia, esta localidade nunca mais voltará a tê-las, porque depois delas atingirem a idade adulta só as fêmeas regressam à terra. Regressam exactamente no ponto onde nasceram. “Portanto, se nós destruirmos o ecossistema, deixamos de ter tartarugas naquela praia para sempre”, frisou. Acrescentou de seguida: “achamos que é algo muito relevante, por isso apoiamos a protecção das tartarugas na costa nacional. Não só aqui em Sangano, mas o projecto do Kitabanga que vai até depois do rio Longa. Nós suportamos esse projecto tanto aqui no Sangano quanto no resto do território”, disse.

A difícil missão de convencer o homem a não matar

António Nunes disse ainda que entre as grandes dificuldades que enfrentam, uma delas é de convencer a população a não matar as tartarugas, uma vez que se trata da destruição do ecossistema. “Ainda no mês passado tivemos uma notícia muito tristes aqui na Barra do Dande, em que os pescadores estavam a matar várias tartarugas adultas”. Sublinhou que as consequências das mortes desses animais, assentam fundamentalmente na destruição do ecossistema e isso será prejudicial para as gerações vindouras. Além de que, “os nossos filhos não poderem ter a possibilidade de ver as tartarugas e estar com elas, assim como todo o ecossistema natural se perde”. Para demonstrar a importância desse animal, destacou o facto de serem fundamentais para a limpeza do fundo do mar e na protecção de algumas espécies marinhas. “Se dermos cabo desse equilíbrio, posteriormente vamos ter problemas no país e consequências na nossa dieta alimentar, uma vez que o grande o problema é destruição do ecossistema”.

“Recuperação” de cada animal morto leva entre 20 a 30 anos

António Nunes salientou ter conhecimento que nessa localidade algumas pessoas comem a carne da tartaruga e tentam sensibilizá-las a não fazê-lo. O que não tem sido fácil, uma vez que a população é fundamentalmente pescadora e invocam inúmeros motivos para justificar esse acto. “O certo é que cada animal morto se demora no mínimo entre 20 a 30 anos a recuperar. Portanto, por cada animal que abatemos teremos de esperar esse período para termos outro. Se nós começarmos a comê-las, rapidamente deixamos de as comer porque não as teremos mais”, garantiu. Importa referir, que há cerca de 3 anos a Angola Cables propôs levar o projeto a Sangano e a acção consistia, fundamentalmente, na consciencialização da população da localidade para a preservação de tartarugas. Por outro lado, referenciou que Sangano foi escolhida como a localidade para atracar os cabos em Angola. Trata-se de dois cabos submarinos, um que é o cabo que liga a Costa Africana e o outro que liga ao Brasil. “Nós, em Angola, temos dois pontos distintos completamente diversificados para atracarmos os cabos submarinos”, disse.