“Santa”podridão

“Santa”podridão

Os políticos angolanos estão cada vez mais empenhados em ir buscar votos nas igrejas, o que significa que têm consciência de que a situação do país leva muita gente a virar-se para a ajuda divina, porque mulheres, homens, famílias estão muitas vezes sem saída terrena nos problemas que os afligem, sociais e económicos, e também que as igrejas estão demasiado permissíveis à política. Ou seja, abrem as portas em troca sabe-se lá do quê. Isto não é mau de todo, aliás, as igrejas rezam, geralmente, pelos políticos, sobretudo pelos governantes, para que a nação seja bem dirigida. O problema está nos vícios, está num certo activismo político de algumas igrejas ou de alguns dos seus representantes. Mas isto também não é mau de todo, até porque as igrejas não devem ficar indiferentes à governação e à democracia. O pior está nas “igrejas-empresas” que actuam em Angola, estas vendem os fiéis, se isso for bom para o negócio. E é aí que os políticos atacam. Contudo, os políticos que prometem “enriquecer” a vida do cidadão votante mancomuna-se com a igreja que depaupera o mesmo eleitor. Aqui está o perverso da coisa. Por isso também temos tantos negócios da fé ainda activos em Angola. E entra-se numa espécie de chantagem mútua, em que um diz: “se tu não trazes os votos, eu tenho o campo político para te atacar”; e o outro: “se tu me atacas ou ameaças o meu negócio, eu encaminho o voto das minhas ovelhas para o teu adversário”. É a podridão total. Isto leva a que o cidadão não obtenha a solução dos seus problemas nem pelo voto, nem pelas preces, é enganado pelos dois lados.