Desvalorização do Kwanza ‘trava’ autosuficiência em farinha de trigo

Angola pode tornará auto-suficiente em produção de farinha de trigo a partir de 2020, tendo em conta a previsão das três moageiras do país produzirem 208 mil toneladas ao ano, cada, perfazendo um total de 840 mil toneladas. Mas quê para tal, segundo César Rasgado, a “produção nacional de farinha de trigo terá de superar vários desafios e a estrutura de custos dos factores de produção é pesada, tendo vindo a agravar-se na sequência da desvalorização do Kwanza. O que mais agrava os custos de produção, acrescentou, é a ausência de meios de comunicação rodoviários e a ausência de utilidades auxiliares para produção industrial. “Devido à incerteza das redes de abastecimento de energia e água, as fábricas estão equipadas com geradores para o abastecimento de energia e em caso de interrupção de fornecimento pela rede pública”, explicou.

Entretanto, foram também criados reservatórios adicionais de água que asseguram a autonomia das fábricas para vários dias em caso de falha do abastecimento da rede pública. A concorrência da farinha importada, que entra em Angola com preços mais baixos em virtude da isenção do IVA e a sua menor qualidade, são também constrangimentos enfrentados pela GMA, Kikolo e Leonor Carrinho, isto empresas sedeadas em Benguela. Neste momento, as necessidades do país em farinha de trigo estão estimadas em cerca de 520 mil toneladas e a produção local ronda as 420 mil toneladas por ano – um défice anual de 100 toneladas, que são importadas, conforme dados do Ministério da Indústria fornecidos pelo porta-voz das indústrias moageiras de farinha de trigo angolanas, César Rasgado.

“A Grandes Moagens de Angola (GMA) tem capacidade instalada para produzir até 280 mil toneladas de farinha de trigo por ano, a Kikolo 140 mil, tendo em curso um possível processo de ampliação para o dobro (280 mil toneladas), e a fábrica do Grupo Leonor Carrinho está pronta a fornecer ao mercado desde o início de Dezembro 280 mil toneladas/ano”, precisou César Rasgado, segundo um comunicado de imprensa da JLM Comunicação, que a Ango teve acesso hoje. Em relação ao atraso no aumento da capacidade de produção de farinha de trigo da moageira Kikolo, de 140 mil para 280 mil toneladas ano, o porta-voz explicou que deve-se ao impacto da aplicação do IVA sobre a importação de equipamentos. Actualmente, as três moageiras nacionais têm capacidade instalada para produzir anualmente 700 mil toneladas de farinha de trigo, contribuindo para o abastecimento do mercado, para a diminuição das importações, e para a criação de empregos directos e indirectos em Luanda e em Benguela. Até 2017, antes da inauguração da GMA e da Kikolo, toda a farinha consumida em Angola era importada. As três unidades resultam de um investimento privado no valor de 300 milhões de dólares norteamericanos.

A GMA criou, com a sua entrada em funcionamento, 150 empregos directos, a Kikolo 115 e a Leonor Carrinho 100. Diversificação da produção, aumento da exportação e arrecadação de divisas Para além da produção de farinha de trigo, as moageiras angolanas produzem também farelo em pellet, que é exportado e que, consequentemente, contribui para o aumento das exportações e para a arrecadação de divisas. A retoma e a dinamização da produção agrícola nacional é outro dos temas que a indústria moageira angolana gostava de ver em marcha, porque para produzirem a farinha as empresas têm obrigatoriamente que importar um milhão de toneladas de trigo por ano. Se o trigo for produzido em Angola, dinamiza-se a actividade dos pequenos e médios agricultores, aumenta-se o emprego, fixam-se pessoas nas províncias e reforça-se a poupança de divisas.

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