Ndaka Yo Wiñi abrilhanta público na LAC em concerto “africanista”

Ndaka Yo Wiñi abrilhanta público na LAC em concerto “africanista”

“O Lwandu”, esteira tradicional africana, geralmente usada em cerimónias rituais, alambamentos e óbitos, foi o mote do concerto intimista do músico e investigador cultural Ndaka Yo Wiñi

Por:Adjelson Coimbra

O músico Ndaka Yo Wiñi realizou no último Sábado, 22, no hall da Rádio Luanda Antena Comercial (LAC), um show africanista, sob o tema “Lwandu”, esteira tradicional africana. Para condizer com o tema, o espaço estava ornamentado de esteiras e algumas almofadas para os anfitriões sentirem-se mais cómodos. Além disso, um pouco distante do palco e da plateia, senhoras assavam banana-pão, torravam ginguba e milho, e fritavam o bombó, bem como estavam à mostra trajes africanos, para quem quisesse adquirir. Entretanto, quando foram precisamente 20:32 minutos, Ndaka, da parte traseira ao palco caminhava, fazendo já aquecimentos vocais para a apresentação do seu primeiro tema: “Pasuka”.

Chegado ao palco de sandálias pretas, calças de ganga brancas e um bubu igualmente branco, adornos de missangas, Yo Wiñi cantou o “Tchove Tchove”. Porém, a plateia, que parecia acanhada, soltou-se quando ouviu as batucadas de “Sokolola”. Mas foi com “Njolela” que Yo Wiñi melhor interagiu com o público e juntos cantaram, ao som do batuque, piano, viola e guitarra eléctrica. Nesta sequência, o músico, que vai participar na canção do hino da SADC, que integrará a colectânea “SADC All Star Álbum”, com o tema “união, trabalho e vitória”, entoou “Olukwembo”, “Ohele”, “Sandombwa”, “Ndikalikenda”, “Vakale” e “Njolela”.

II Parte do concerto

Depois de uma primeira parte do concerto em que Ndaka conseguiu criar empatia com a plateia, a segunda metade do show foi mais descontraída, o que se comprovou quando cantou “Cinganji”. Para mostrar que sabe dançar, o músico mexia-se com destreza, enquanto cantava “Evambe “Ombembwa”. Mesmo assim, com suor a escorrer-lhe pelo rosto e uma garganta sedenta que clamava por água, líquido que bebeu durante a sua actuação, Ndaka continuou com “Toke Pi”. Assim, seguiu-se “Suku Nzambi”, canção que levou a plateia a reflectir sobre o tratamento a dar-se aos progenitores. Segundo o artista, para escrever essa canção inspirou-se nos momentos difíceis pelo qual está a passar com o seu pai, pelo facto de o mesmo ser portador de uma doença. “Ele acorda com a sensação de que pode partir tão breve”, lamentou. E para encerrar, Ndaka cantarolou “Cembanima”. Por seu turno, Ndaka Yo Wiñi, que traduzido do umbundu significa a “Voz do Povo”, fez um balanço positivo da noite e disse que foi aprazível cantar no hall da LAC.

Tributo a José Kafala

Vale ressaltar que o concerto dedicou um minuto de silêncio, em memória do músico José Kafala, que morreu a 13 de Dezembro, vítima de doença. José Kafala tornou-se um dos mais expressivos trovadores do período pós-independência, com o irmão Moisés, com quem formou a dupla “Irmãos Kafala”. O duo desfez-se em 2004, altura em que abraçou carreira a solo. Conquistou, em 1984, a título individual, o I Festival dos Artistas Amadores das Forças Armadas. Em 1985, a dupla venceu o Top dos Mais Queridos, com o tema “Ó Kwdizola Kweto”. José Kafala foi agraciado com o Diploma de Mérito, pelo Ministério da Cultura, em 2008, no âmbito do Dia da Cultura Nacional, assinalado a 8 de Janeiro.