Um Natal com pouca luz em Luanda e menos feliz

Um Natal com pouca luz em Luanda e menos feliz

Não há presépio com o menino Jesus e a família, águas de repuxos com luzes, enfeites e ornamentações natalinas de encher os olhos. Há pontos escuros na cidade e locais que deixaram de ser pontos de atracção

Por:Milton Manaça

Nem os locais tidos como cartões postais da cidade foram poupados da “penúria” de luzes e de outras ornamentações típicas da quadra festiva. Até 20 de Dezembro, toda a extensão da marginal de Luanda não apresentava qualquer tipo de ornamentação natalícia. Da parte de cidadãos que têm o local como espaço de lazer, as inevitáveis comparações com os anos transactos já se fazem sentir e apontam a actual conjuntura económica como o principal factor desta curva descendente na ornamentação da cidade. “Era aqui que trazia a família nesta época para ver as luzes de Natal, mas, para este ano, teremos de procurar outro lugar para passear”.

É desta forma que reagiu António Morgado quando foi abordado por OPAÍS. Nem mesmo o imponente edifício da Sonangol e a sede do Banco Nacional de Angola (BNA), que em tempos idos transformaram-se nos principais centros de ornamentação dos enfeites de Natal, fogem da “desolação”. Na primeira, por exemplo, os habituais festivais de lanternas, luzes em formato de estrela, vectores de brilhantes e outros adornos costumeiros desta época deram lugar a simples segunda quinzena de Novembro, mas neste ano no palácio do Governo provincial só foi feita na véspera da visita do Presidente. “Nunca pensamos que teríamos um Natal como este. 2019 está mesmo fraco”, disse Telmo Ivandro. A mesma realidade, segundo o entrevistado, está a ser vivida também dentro das residências, pois as ornamentações ostensivas já não existem. No seu caso, era norma em cada ano comparem uma árvore de Natal, “mas agora o único enfeite que temos é este é mesmo, esta árvore do ano passado”.

Sem presença do menino Jesus

A nossa ronda nocturna pela cidade, levou-nos até ao Largo da Independência, onde se tornou costume montar um presépio com as figuras do menino Jesus, a sua mãe Maria e o seu pai José, quando é chegada a época de Natal. No presépio era ainda costume ver anjos, o burro, um boi, o galo e as ovelhas, pastores, os três Reis Magos, a Estrela de Belém e uma manjedoura, lugar “Era aqui que trazia a família nesta época, para ver as luzes de Natal, mas para este ano teremos de procurar outro lugar para passear” António Morgado “Nunca pensamos que teríamos um Natal como este. 2

019 está mesmo fraco” Telmo Ivandro de aconchego utilizado como o berço onde Jesus ficou quando nasceu dentro de um curral. Entretanto, o presépio, que era a principal atracção do Largo da Independência, também não foi montado este ano e a quantidade de luzes também diminuiu, uma situação que terá diminuído a alegria das crianças, de acordo com Tomé Lopes. O engenheiro informático, de 52 anos, que diz não ter dúvidas de que este é um dos anos mais difíceis para as famílias angolanas e espera que o “sufoco” tenha benefícios a curto prazo para as famílias. “Se o sofrimento for para melhorar, estamos a ir bem, mas se for para piorar estamos a ir no mau caminho. Mas, de forma resumida, teremos um Natal menos feliz”, disse.