Mais de 50 % dos aviários reduziram a produção no país

É cada vez mais frequente a baixa produção de aves e o encerramento de pequenos e médios aviários em todo o país. O motivo tem que ver com a falta de matéria–prima e o custo elevado no transporte da mercadoria

Por:Patrícia de Oliveira

O Presidente da Associação dos Avicultores de Angola (ANAVI), Rui Santos, referiu que o encerramento de muitos aviários encareça o preço dos ovos, principalmente na época da quadra festiva. “O preço do cartão de ovos passou de 2.500 Kwanzas para 3mil e 900 no mercado informal e nos estabelecimentos comerciais, tendo em conta a redução na produção, a procura do produto e a falta de matéria- prima”, explica. Segundo o responsável, os ovos são vendidos a um preço acessível, mas os revendedores aumentam o valor para tirar maior margem de lucro no período da quadra festiva. Ressaltando que a procura no período da quadra festiva também encarece o preço dos ovos.

“A produção de ovos não satisfaz as necessidades em Dezembro. Por esse motivo, aumenta à procura e há especulações de preços”, explica. Segundo ele, os produtores se deparam com grandes dificuldades para aquisição de matéria – prima, enquanto os comerciantes têm tido lucros na ordem de 60% porque a única tarefa se concentra na comercialização. Por seu turno, o avicultor Mito Silva referiu que o país enfrenta um problema conjuntural em todos os sectores, ressaltando que é um reflexo da falta de matéria-prima para manter a produção. “Muitos aviários reduziram a produção de ovos por falta de condições. Está cada vez mais difícil manter as empresas. No presente ano encerrou um aviário com capacidade para produzir 30 mil ovos por dia”, lamenta.

A proprietária do aviário Santa Filomena, Florinda Ramos, também defende a mesma opinião, reforçando que o aumento do preço dos ovos está relacionado com o alto custo do preço da ração, medicamentos e o fraco poder de compra. A avicultora viu-se obrigada a diminuir a produção de ovos por falta de condições e dificuldade na aquisição de divisas. Lembrou que os produtos para fazer a ração são importados. “Actualmente, o saco de ração custa 12 mil Kwanzas e a caixa com 360 ovos estava a ser vendida ao mesmo preço. Ainda temos o custo do material, os cartões e o rendimento não compensa”, explica. Localizado na província de Benguela, o aviário Santa Filomena tem uma capacidade para 66 mil aves, mas a produção reduziu para 18 mil aves.

Custo de transportação

Tal como as demais províncias, no Huambo, a avicultora Agripina Elsa Mussovela também enfrenta dificuldades para adquirir matéria– prima e manter a empresa a funcionar. “No Huambo muitos avicultores preferiram paralisar a produção por falta de recursos. Os pequenos produtores não conseguem resistir e são engolidos pelos grandes”, explica. Além da dificuldade para aquisição da matéria-prima, a empresária também se depara com o custo elevado na transportação da mesma. A mercadoria para chegar até às instalações é necessário desembolsar entre 400 a 800 mil Kwanzas”, revela. Na opinião da empresária, o governo deve criar condições para evitar especulações no preço dos produtos no mês de Dezembro e Janeiro

. Acrescentou ainda que a crise económica que o país vive tirou o poder de compra das famílias. “A polícia económica deve visitar os estabelecimentos comercias para e evitar situações de especulações, caso haja alteração de preço sem justificação é preciso aplicar multas”, retorquiu. Em 2016, a província de Luanda liderava a produção de ovos com 19 milhões 171 mil. Enquanto as províncias do Cuanza-Sul, Benguela, Bié, Huíla e Huambo produziam um total de 16 milhões 352 mil 960, somando 36.507.232 em todo o país. A capital do país contava com 20 aviários, o Cuanza-Sul com 12, Benguela 6, Bengo igualmente 6, Bié 3, Cuando Cubango 2, Lunda Sul 2, Uíge, mesmo número encontra- se no Cuanza-Norte, Moxico, Lubango, Namibe, Huambo, Zaire, Lunda-Norte todas com um aviário cada. As regiões que ainda não produzem ovos são, Cabinda, Cunene e Cuando Cubango.

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