O grito das mães

O grito das mães

Um bebé que aparenta sete meses de vida foi encontrado vivo na via pública, na noite de Sábado (21), no bairro Catepa, em Malanje, noticiou a Angop no Domingo. A informação foi dada pelo porta-voz do SIC (Serviço de Investigação Criminal), Lindo Ngola. Ora, o mais normal seria que a informação viesse, um dia depois, dos serviços sociais e não do SIC. Porém, casos desta natureza estão a repetir-se a uma velocidade assustadora e acontecem em todo o país. Há um crime no acto de abandono, aí a Polícia deve ser chamada a investigar para ver se encontra quem o praticou, mas há também uma mensagem que não pode cair em ouvidos moucos: a situação social do nosso país não está nada bem. Quando uma mãe (supondo que neste caso de trata de uma mãe) abandona um bebé de sete meses, então o Estado deve começar a preocupar-se seriamente. Aos sete meses, o vínculo entre mãe e fi lho é quase indestrutível, tal como o era antes, mesmo na gravidez. O nosso país não está bem, há que reconhecer, e este tipo de assunto não se resolve apenas com medidas policiais ou judiciais, mas, em cada caso de abandono desta natureza há um grito a alertar sobre os limites para se aguentar a carência de quase tudo. Sobre a imoralidade reinante, a perda da fé. Uma mulher que abandone o fi lho que gerou, por incapacidade de lhe prover sustento e educação, está a desfazer-se de uma parte de si mesma, de uma parte da vida. E esta parte que morre não se regenera, nunca lhe será restituída.