Tudo ao soco

Tudo ao soco

Quem olhe para os relatórios policiais das várias províncias angolanas relativos às ocorrências na noite de Natal, certamente que lhe chamará a atenção a rubrica sobre casos atendidos nos hospitais resultantes de agressão física. Foi uma noite de pancadaria. O país deve ter enlouquecido, ou é mesmo verdade que quando falta pão também falta o discernimento, e falta a calma. Os dados indicam que os médicos lidaram com várias vezes mais casos de estaladas do que com feridos em acidentes de viação. Lá se foi a “moda” de espatifar carros nas noites da quadra festiva.

O combustível está caro e não há a quem visitar, está tudo na penúria. Portanto, o melhor é mesmo fi car em casa e resolver as frustrações em modo de violência doméstica. Em Benguela registou-se até um caso de atendimento por “mordedura humana”, aquilo deve ter sido uma dentada e tanto. É no que dá a falta do bacalhau e do leitão no forno.

No Lobito, a coisa teve mais estilo, como refi lam muito, para os acalmar, foram obrigados a passar o Natal a “cartar” água para se cansarem e irem dormir. Mas como a ministra das Finanças já disse que o próximo ano, este que está já aí a entrar, será pior, agora é que isto será um grande ringue de boxe e karaté.