Zona Alta do Lobito passa Natal sem água

Zona Alta do Lobito passa Natal sem água

Constantino Eduardo, em Benguela

Na falta do fornecimento do líquido por parte de quem tem responsabilidade de o efeito, os moradores vêm-se obrigados a recorrer a privados que, aproveitandose da situação, estarão a praticar preços especulativos. Agastados,
os moradores pedem que a direcção da empresa resolva quanto antes o problema, mas a empresa – até ao momento em que expelimos esta peça – não se tinha pronunciado sobre o assunto.

Da direcção da Empresa de Águas e Saneamento Básico do Lobito, os moradores esperam, além da reposição da normalidade, que prestasse informação à volta das razões de mais esta “seca”. “As empresas têm de ter a cultura de informar os clientes sobre o que se passa”, reclama dona Maria Teresa, moradora do Bairro Novo, insatisfeita com a especulação que determinados cidadãos – a quem chama de aproveitadores – estarão a promover face ao cenário.

De acordo com a dona Maria Teresa, o Natal – Dia da Família, para alguns, e do nascimento de Jesus, para outros – foi transformado em dia de correria à procura do precioso líquido, porquanto muita gente viu-se obrigada a andar com bacias e bidons à cabeça da zona alta à baixa em busca de água. À RNA Lobito, muitos cidadãos que se deixaram de que determinados cidadãos estariam a praticar preços exorbitantes. “A banheira está a 60 ou 70 kz. Uns estão a sair lá de cima pé para acarretar água, acordámos às 5 horas para procurar”, disse uma senhora. Esta estação emissora tentou ouvir, sem sucesso, a direcção encabeçada pelo engenheiro Henriques Calengue.

O mesmo sucedeu ao OPAÍS. Segundo apurou este jornal, as empresas de águas e saneamento de Benguela e Lobito confrontam-se, actualmente, com problemas fi nanceiros decorrentes da retirada dos subsídios ao preço que vinham sendo atribuídos pelo Ministério das Finanças, obrigandoas a contar apenas com a facturação mensal junto de clientes para suportar os custos operacionais.

A do Lobito, disse uma fonte da empresa, sem os grandes contribuintes, está com uma facturação mensal de mais de 80 milhões de kwanzas, ao passo que a sua congénere de Benguela tem uma facturação bruta mensal de Mais de 100 milhões. A privação do fornecimento de água surge numa altura em que a direcção das Águas em Benguela adverte para a necessidade de o Executivo efectuar investimentos na ETA- Luhongo, sob pena de se registar uma crise de água sem precedentes em Benguela, tal como noticiara OPAÍS. Saliente que a ETA- Luhongo é um pulmão para os municípios do litoral (Benguela, Lobito, BaíaFarta e Catumbela) no que ao fornecimento diz respeito.

A directora do Gabinete dos Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Jandira Ribeiro, afi rmou que o problema se deveu a questões de natureza técnica decorrentes da avaria registada no gerador, revelando que há 7 anos que o sector das Águas não benefi cia de investimentos de grande vulto. De acordo com a responsável, a zona alta do Lobito necessita de 5 metros cúbicos para satisfazer as necessidades.