Carta do leitor:Solidariedade sim, mas o problema é a pobreza

Obrigado pela oportunidade,
senhor Director do Jornal O PAÍS
Kyami Jocelino, Luanda

É sempre um gesto que deve ser louvado quando os nossos governantes se solidarizam e mostram o seu afecto, quando por qualquer eventualidade cidadãos passam por necessidades ou qualquer sinistralidade. No caso do incidente que ocorreu no Golfe 1, em Luanda, em que cidadãos na sua maioria crianças, foram vítimas de ferimentos graves por conta da explosão de um engenho não detonado, é digno de realce o gesto protagonizado pelo governador de Luanda, Sérgio Rescova, e a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, ao mostrarem afecto às vítimas, deslocando- se, inclusive, à unidade sanitária para visitá-los. Mas era bom que os dois, sendo membros do aparelho governativo, tomassem consciência que situações como esta poderão ocorrer várias vezes, pois, o próprio Executivo tem dados que comprovam a existência de engenhos explosivos não detonados em vários pontos do país.As crianças que ontem mesmo (pelo menos duas) viram amputados os seus braços por se dedicarem à recolha de ferro e outros metais para a venda, numa lixeira do Distrito Urbano do Palanca, são vítimas da fome e da pobreza. E, assim, o são milhares de angolanos que dependem do lixo para a sua sobrevivência Estes angolanos, com os mesmos direitos e sujeitos aos mesmos deveres, clamam que sejam atacadas com urgência, as causas do problema para depois não nos limitarmos a prestar solidariedade, o que não é o mais importante. Todos os anos, há registo de crianças perdendo parte do seu corpo e até mesmo a vida, vítimas das minas, enquanto procuram algo para o seu sustento e das suas famílias. Solidariedade sim, mas antes resolvamos o problema da fome.

leave a reply