O que se aprende de pequeno não se esquece

Ainda ontem mesmo vi em Luanda aqueles gestos bonitos de simpatia entre agente da autoridade e cidadão que até parece um bailado que toda a gente aprende na escola. Repete-se tantas vezes que até parece que se aprende no infantário. O agente da Polícia de Trânsito fez um sinal, a viatura que vinha em marcha parou, lá mais em frente, o motorista desceu, caminhou uns quinze metros até ao agente. Trocaram, breves palavras e, depois, da forma mais educada do mundo, ele, o motorista, apertou a mão do polícia. Vejam só que povo educado nós somos, nos outros países isto é impensável, os europeus e americanos, atrasados, não sabem o que isto é, falta-lhes um certo toque de civilização. Mas, seguindo, a cena que é repetida vezes sem conta nas nossas ruas e estradas é tão requintada e profunda, que a assistimos sempre como se fosse a primeira vez. É como ir a grandes salas ver vezes sem conta o bailado “O Lago dos Cisnes”, ou a ópera “Tosca”. Nunca nos fartamos, extasiamo-nos sempre. Então, na obra prima angolana, o motorista começa a afastar-se em direcção ao seu carro e o agente da Polícia, com um gesto sempre magistral, leva a mão ao bolso. Ela não fi ca por lá muito tempo, volta a sair para mandar parar outro carro. Bem, outro táxi. A luta contra a corrupção em Angola tem destes desafi os, falar é fácil, mas a realidade é bem diferente e deve ter causas bem reais e profundas, que é preciso abordar com seriedade. E não é apenas o colarinho branco, ela vem de gente pequena também, como estes agentes da Polícia. Imaginemo-los a gerir milhões….

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