Pastores angolanos da IURD marcham e pedem diálogo com os brasileiros

Pastores angolanos da IURD marcham  e pedem diálogo com os brasileiros

Os pastores angolanos da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola saíram, ontem, à rua para uma marcha de repúdio contra os abusos dos pastores brasileiros em serviço no nosso país. Apesar de já se ter instalado a divisão na Igreja, os pastores angolanos insistem na presença do actual responsável para um diálogo aberto

Por:Romão Brandão

Dezenas de pastores, obreiros e bispos angolanos caminharam do Cemitério de Sant’ Ana, às 10 horas de ontem, até à Catedral da Igreja Universal do Maculusso, para mais uma vez exigirem o respeito e cumprimento da Lei Magna; respeito pelos pastores angolanos, quer na reposição dos seus subsídios bem como da dignidade humana e repudiar a venda coerciva dos bens da IURD Angola. Aqueles fiéis escolheram como terminus da marcha a Catedral da IURD no Maculusso, para dizerem também ao bispo de nacionalidade brasileira, Honorilton Gonçalves, que estão abertos ao diálogo. Acham que esta igreja em Angola não pode ficar na confusão e dividida, pois quando o bispo Augusto de Oliveira veio a Angola, e tantos outros, vieram na união, paz e amor. “Hoje a Igreja está constituída, os pastores angolanos também merecem ser tratados com dignidade. A Igreja não pode ser simplesmente gerida por brasileiros. Nós não estamos aqui a fazer apologia da divisão da Igreja, jamais. Queremos a união, porque estamos a registar obreiros a saírem da Igreja, almas a se perderem, quando devemos salvar almas”, disse Dinis Bundo, porta-voz da marcha. Aqueles cidadãos decidiram manifestar- se, pacificamente, porque pensam que estão a ser ignorados, pois passados 30 dias desde que os pastores angolanos fizeram um manifesto a denunciar práticas não muito boas por parte dos pastores brasileiros, e que mancham a IURD, ainda não têm uma resposta satisfatória.

Com cartazes com os dizeres “devolvam os subsídios dos pastores”; “membros, esposas, pastores e obreiros angolanos são dignos de respeito”, bem como “queremos o dinheiro da universidade”, os fiéis, além de pararem para orar em frente à referida catedral, gritavam “queremos o diálogo”. O bispo Honorilton Gonçalves, líder actual da IURD Angola, que várias vezes foi pronunciado pelos féis que ali se manifestavam, é tido como o elo entre os pastores angolanos e brasileiros neste processo de resolução desta desavença. A falta de interesse em dialogar, segundo Dinis Bundo, está a minar o bom andamento da igreja e contribuir para a perda diária de fiéis. Dinis Bundo voltou a frisar que muitos outros patrimónios da igreja estão a ser vendidos, como o espaço, por exemplo, onde seria construída a tão prometida Universidade da IURD. Existem pastores a viver em condições desumanas, segundo o entrevistado, a serem ameaçados de abandonarem as casas tidas como património da igreja. “Nós não queremos uma IURD dividida. Quer eles queiram quer não nós vamos chegar a um consenso. A igreja é nossa, é tanto quanto dos brasileiros e dos angolanos. Não nos podem retirar da igreja, essa casa também é nossa. É por isso que estamos aqui para dizer ao bispo Honorilton Gonçalves que venha dialogar connosco ou vamos parar a igreja”, sublinhou.

Movimento Revolucionário também marchou

A marcha contou também com a presença de membros do Movimento Revolucionário de Angola, como o jovem David Mendes, que em entrevista ao jornal OPAÍS disse que este movimento solidariza- se com a causa defendida pelos pastores angolanos por registarem violação da Constituição da República, a evasão de divisas e a vasectomia. Têm noção que a PGR tem o processo, mas estão surpresos com o lento andamento do mesmo, pelo que sentiram a necessidade de realizar a marcha que consideram pacífica, como forma de fazer pressão ao Estado a fim de resolver este problema da IURD Angola. “Os líderes brasileiros estão a fazer ouvidos de mercador, não querem dialogar e, por isso, estas pessoas decidiram sair à rua para marchar. Nós, Movimento Revolucionário, vamos apoiar esta justa causa como activistas e membros da sociedade civil até que a Lei seja respeitada ou se faça justiça”, defende.