Angolano conquista bolsa de pesquisa literária no concurso Criar Lusofonia

Angolano conquista bolsa de pesquisa literária no concurso Criar Lusofonia

A bolsa atribuída está avaliada em 3 mil euros e destinase à cobertura das despesas inerentes à estada em Portugal, onde João Ngola Trindade vai desenvolver a pesquisa cujo cronograma terá de enviar entre 15 e 30 de Janeiro de 2020

Por:Sílvia Milonga, em Lisboa, Portugal

O júri do Concurso Criar Lusofonia declarou vencedor do Concurso Criar Lusofonia João Ngola Trindade, informou a organização do referido evento a 18 mês em curso. Apoiado pelo Ministério da Cultura de Portugal e gerido pelo Centro Nacional da Cultura do referido País, o Concurso Criar Lusofonia tem por objectivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para cidadãos de países de Língua Oficial Portuguesa e a criação de contactos aprofundados com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono, lê-se no regulamento. Contactado pelo OPAÍS, João Ngola Trindade referiu que, inicialmente, teve conhecimento do concurso pelo Semanário Novo Jornal que, numa das suas edições, noticiou a realização do concurso.

Contudo, referiu que não sentiu muita motivação para concorrer. “O professor Francisco Soares, especialista em Literatura Africana, colocou-me em contacto com o link da organização e aí encontrei o regulamento concurso que exige que os candidatos tenham já publicada uma obra e artigos, apresentem a cópia do BI, ou do Passaporte, um projecto de criação literária ou de pesquisa literária e o curriculum”. João Ngola Trindade afirma ter apresentado a sua candidatura somente a 31 de Outubro do ano em curso, portanto, no dia último dia de submissão da candidatura, depois de ter reflectido profundamente se valia a pena concorrer. “Eu estava e continuo empenhado numa pesquisa e tinha de reservar tempo para preparar a minha candidatura e depois de a ter preparado questionava-me se valia a pena realmente concorrer. Tomei a decisão de concorrer no último dia da apresentação das candidaturas, 31 de Outubro”.

A decisão do júri foi-lhe comunicada por e-mail no dia 18 de Dezembro, conforme revelou ao OPAÍS: “recebi a mensagem de felicitação do Centro Nacional da Cultura, do Ministério da Cultura e da Direção Geral do Livro, dos Arquivos e da Biblioteca de Portugal no meu e-mail quando o abri justamente para enviar ao Jornal Cultura um artigo que, curiosamente, é uma parte da pesquisa que tenho realizado sobre a obra de Castro Soromenho”. A bolsa atribuída está avaliada em três mil euros e destina-se a cobertura das despesas inerentes a estada em Portugal onde João Ngola Trindade vai desenvolver a pesquisa cujo cronograma terá de enviar entre 15 e 30 de Janeiro de 2020. “Para dar início a esta condição de bolseiro, deverá enviar (entre 15 e 30 de janeiro) um programa de desenvolvimento do projeto e calendarização, incluindo previsão de datas de deslocação e estada […].

O montante previsto para viagens é de 1000 € (inclui viagens internacionais e internas) ”, lê-se na mensagem de felicitação. Sobre o factor que terá pesado na decisão do júri de atribuir-lhe a bolsa, o historiador refere que “no regulamento afirma-se que os candidatos seriam apreciados com base no curriculum. Eu inclui no meu curriculum o livro de ensaios que lancei em Maio deste ano, “O Papel do Escritor na Sociedade Colonial Angolana”, um outro livro que está no prelo e 22 dos 50 textos que escrevi e foram publicados na imprensa angolana. Penso que o trabalho que desenvolvo foi determinante para que o júri tivesse decidido declarar- me vencedor do concurso”.

Licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, João Ngola Trindade colabora no neste jornal, tendo inicialmente colaborado no Semanário Folha 8 e, posteriormente, no Novo Jornal. Porém, a maior parte da sua produção intelectual foi publicada pelo Jornal Cultura – quinzenário de Artes e Letras, que até este preciso momento trouxe a lume 50 textos da sua autoria constituídos por artigos, ensaios e recensões críticas. O historiador escreve igualmente textos para o Antologia – programa sobre Tradição Oral, apresentado na Rádio Nacional de Angola pelo escritor e jornalista António Fonseca.