Entre consultores e educação

Entre consultores e educação

Um país não pode esperar desenvolver- se com os conhecimentos alheios. Há dias, o professor Carlinhos Zassala disse que “nenhum país é verdadeiramente independente quando depende da ciência alheia”. Nós temos disto lição à fl or-da-pele, mas não aprendemos. As altas esferas do Estado continuam a contratar “consultoria” externa até para lhes ensinar a falar com os angolanos e lá para fora também. Ou seja, ‘se queres falar comigo, tens de fazê-lo assim, da forma como te ensino. E pagas-me. E vais pagar muito mais se eu não entender a tua mensagem. Bem, eu posso não entender a tua mensagem ainda que comuniques como eu digo, de qualquer forma, continuarás a pagar’. É este o ridículo das lideranças africanas, que empobrece os países, mas não faz mal se algum deste dinheiro for para uma conta pessoal, no Ocidente, claro está. Se a crise económica do nosso país depende, para o seu fi m, dos outros, porque nós não temos ciência para a resolver, talvez fosse bom o Governo aprender, de uma vez por todas, que o único investimento bom é o feito na educação. Pagar consultores externos, já se viu, que não enriquece os angolanos. Estamos numa fase muito complicada e que exige coragem sem precedentes. O petróleo, o nosso principal produto nos mercados, está em declínio. Não trará o dinheiro necessário tão cedo, se voltar a trazer. A agricultura e a indústria dependem de ciência, conhecimento, capacidade criativa, e isto passa pela aposta na educação. O nosso outro “produto” de exportação, a dívida, também não está assim tão bem no mercado, depende mais do petróleo do que da nossa capacidade criativa e de reinvenção. Então, há que decidir: consultoria externa, ou aposta no nacional, na educação, sobretudo, ainda que leve tempo para dar frutos, mas que serão permanentes?