Guiné-Bissau vota na segunda volta da eleição presidencial, em confronto estão dois ex-primeiros-ministros

Os eleitores da Guiné- Bissau começaram a votar no Domingo na segunda volta da eleição presidencial, pondo em confronto dois ex-primeiros-ministros que prometem trazer estabilidade à turbulenta nação da África Ocidental. O presidente em exercício, José Mário Vaz, não conseguiu chegar ao segundo turno depois de um mandato de cinco anos marcado por demissões regulares de alto nível, um parlamento quase inoperante e semanas de turbulência na preparação para a votação na primeira volta. Ambos os candidatos no confronto de Domingo disseram que, se eleitos, trabalharão para superar um impasse político de longa data e modernizar o país de 1,6 milhão de pessoas, que sofreu nove golpes ou tentativas de golpe desde a independência de Portugal em 1974.

Domingos Simões Pereira, 56 anos, do partido no poder, PAIGC, é visto como o favorito depois de vencer a primeira volta em 24 de Novembro com 40% dos votos. O seu oponente, Umaro Cissoko Embaló, 47, ficou em segundo lugar com 28%, apesar de ser um político relativamente novo, e analistas políticos dizem que a corrida pode estar próxima. “Pereira tem uma pequena vantagem sobre o seu rival”, disse o analista Fodé Mané, que também é reitor da Universidade Amílcar Cabral na capital, Bissau. A candidatura de Embaló ganhou apoio dos principais candidatos que não conseguiram chegar ao segundo turno, incluindo Vaz, embora Mané tenha dito que isso não lhe garantiria necessariamente mais votos. Após a primeira volta, Embaló questionou o resultado, dizendo que a contagem final entre ele e Pereira estava muito mais próxima do que os números oficiais haviam mostrado.

Grandes desafios

As assembleias de voto abriram às 07:00 GMT e deveriam fechar às 17:00 TMG. A comissão eleitoral deve anunciar os resultados provisórios na Quarta-feira, 1º de Janeiro. O próximo presidente da Guiné- Bissau herdará grandes desafios, incluindo a pobreza generalizada e um sistema político instável em que o partido maioritário nomeia o governo, mas o presidente tem o poder de rejeitá-lo. Havia sete primeiros-ministros desde que Vaz assumiu o poder em 2014 e a instabilidade política prejudicou a economia, que depende fortemente dos preços voláteis da castanha de cajú, a principal fonte de renda para mais de dois terços das famílias. Embora o seu mandato tenha sido turbulento, Vaz é o primeiro presidente da Guiné-Bissau a concluir um mandato completo. Os eleitores expressaram esperança de que o processo pós-eleitoral transcorra sem problemas para que o vencedor possa concentrar- se em trazer mudanças há muito aguardadas. “Votei em restaurar a paz e tranquilidade na Guiné-Bissau e em contribuir para eleger um presidente que unirá todo o país”, disse Caminho Injai, 65 anos, empregada doméstica, depois de votar

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