Infra-estruturas abandonadas preocupam munícipes do Amboim

Infra-estruturas abandonadas preocupam munícipes do Amboim

“Temos muitas infra-estruturas abandonadas, lojas fechadas e edifícios com continuidade. Tudo tem dono. Não fazem nada e também não deixam os outros fazerem”, declarou o administrador municipal do Amboim, Francisco Manuel Mateus

Texto de Maria Teixeira enviada a Gabela (Cuanza Sul)

Fotos de Pedro Nicodemos

A degradação acentuada de algumas infra-estruturas na cidade da Gabela, sede do município do Amboim, província do Cuanza-Sul, aflige os munícipes e os gestores do sector de tutela dessa localidade. Os moradores dessa circunscrição pedem ao Governo a adopção de medidas urgentes com vista à recuperação e valorização dos imóveis que se estão a tornar refúgio de meliantes, que intensificaram, nos últimos dias, as suas acções. Victor Silva, natural do Amboim, disse que a existência de inúmeras infra-estruturas abandonadas torna a imagem da Gabela desoladora. Ainda assim, afirmou ser uma localidade boa para se viver. “Precisamos apenas que melhorem as infra-estruturas, para dar uma boa imagem, melhorar as nossas condições sociais, gerar mais postos de emprego para nós, os jovens, uma vez que somos pessoas formadas e estamos a prestar serviço de moto-táxi por falta de emprego”, detalhou Victor Silva, Técnico Médio de Ciências Humanas que desde 2010, ano em que concluiu a formação, nunca trabalhou na sua área.

Apesar de essa actividade ser valorizada na localidade, atendendo ao seu impacto na sociedade, Victor Silva disse não ser confortável devido à dificuldade financeira, uma vez que nem sempre conseguem amealhar a quantia suficiente para sustentarem as famílias. Victor Silva desabafou que almeja dar sequência aos estudos, no entanto, não consegue ingressar na universidade por falta de condições financeiras. “Temos aqui uma universidade privada, mas o dinheiro que consigo diariamente não chega para pagar”. A opinião é partilhada por Fortuna Lourenço, que está desempregado. Ele acredita que esse quadro possa mudar nos próximos anos, caso o Governo olhe para esses estabelecimentos que podem gerar empregos, se estiverem nas mãos das pessoas certas. Por falta de emprego, este técnico médio trabalha como lavador de carros para sustentar a sua família. “Também já terminei o ensino médio, mas, por falta de trabalho, faço isso.

Se a pessoa não fizer nada, as crianças não comem e podem morrer de fome”, frisou. Acrescentou de seguida que “a falta de emprego, por vezes, nos deixa frustrados”. Já Rosa Ângelo, que sempre viveu no Amboim, negociante, disse que muitos empresários deviam investir nesta cidade, para alavancar a economia. Confessou que também passa por imensas dificuldades para sustentar os seus seis filhos, pelo que apela ao Governo e aos empreendedores a apostarem na cidade. “A nossa cidade é calma. Queremos empresários a investirem para mudar o quadro da falta de emprego”, declarou.

“Não fazem nada e também não deixam os outros fazerem”

O administrador municipal, Francisco Manuel Mateus, disse estar preocupado também com a situação de abandono das infra- estruturas na cidade. “Temos muitas infra-estruturas abandonadas, lojas fechadas e edifícios com continuidade. Tudo tem dono. Não fazem nada e também não deixam os outros fazerem. Portanto, a casa é tua, mas estás à espera que o Estado é que pinta…”, disse. Por essa razão, estão a realizar uma consulta pública, colhendo a opinião dos munícipes no sentido de encontrarem as medidas adequadas para ultrapassar esse impasse.

Quanto à falta de emprego, garantiu estarem a formalizar as actividades informais. Esse processo passa pelo cadastramento das pessoas que trabalham no mercado local. “O que estamos a transmitir aos cidadãos é que qualquer actividade geradora de algum rendimento deve ser tributada e inserida na segurança social, para que amanhã, se tiver a possibilidade de ter um emprego melhor, este tempo de serviço conte”, explicou. Fez saber ainda que estão a trabalhar com os motociclistas também. De dois em dois meses têm realizado um encontro no sentido de passarem a mensagem de que a actividade que eles exercem é útil e de grande importância e que a sociedade reconhece, mas precisam estar organizados. Esse processo tem sido facilitado pelo facto de os motociclistas estarem identificados e filiados numa associação e têm paragens próprias. Estão a tratar com eles o assunto do seu enquadramento fiscal e da segurança social.

Campanha de limpeza colectiva

Por outro lado, Victor Silva contou que a recolha de lixo na via pública não constitui um problema, pelo facto de as autoridades contarem com o apoio dos munícipes para o efeito. “Nós realizamos campanhas de limpeza e convidamos todos a participar. Cada bairro tem um grupo de acompanhamento que trabalha com a própria Administração, através de uma políticas gizadas que possibilitam o envolvimento de todos”, contou. Apesar de não serem remunerados, o jovem garante que desempenham essa tarefa no sentido de velar pelo saneamento básico para que o município se desenvolva e que não haja agressões ao ambiente urbano.