Polícia descarta aumento da criminalidade em 2019

Polícia descarta aumento da criminalidade em 2019

As autoridades policiais descartam a possibilidade do aumento da criminalidade em Angola, embora existam crimes mediáticos que deixam esta percepção. No entanto, admitem a possibilidade de a situação económica que o país vive servir de incentivo à prática de delitos

Por:Norberto Sateco

O comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, descarta a possibilidade de se ter registado um aumento da criminalidade no país durante o ano de 2009, excepto os crimes mediáticos em que estiveram envolvidas pessoas com alguma visibilidade. Norberto Sateco Segundo Paulo de Almeida, esta é a razão que levou a sociedade a ter ficado com a impressão de que houve tal aumento, o que não passou disso, tendo em conta que os dados estatísticos da corporação dizem ser inferiores, se comparados com os anos anteriores. Na cerimônia de cumprimentos de fim-de-ano ao Presidente da república, João Lourenço, Paulo de Almeida disse que a Polícia Nacional garantiu uma certa estabilidade dos cidadãos sobretudo na cidade de Luanda, onde ocorreram a maioria dos crimes violentos, mas não adiantou dados estatísticas sobre a criminalidade. “As instituições funcionaram e as pessoas circularam. Numa sociedade como a nossa, onde existem muitas situações transversais, é impossível não haver crimes.

Com estas distorções todas, quer económicas, quer sociais, há sempre comportamentos que descambam para o crime”. Porém, manifestou-se optimista na redução de casos criminais. “Sabemos controlar e vamos terminar o ano com ordem e paz”, frisou, invocando que o problema da criminalidade não passa somente pela acçao da Polícia, requer o envolvimento de todas as forças vivas da Nação. “A prevenção começa logo na família, em casa, e na comunidade. Se todos estes actores não estiverem alinhados teremos sempre comportamentos anormais”. Um dos grandes desafios apontados para o êxito das operações policiais passa por maior investimento nas estruturas de base, no caso as esquadras, onde se faz, verdadeiramente, o trabalho de polícia.

Em seu entender, o a melhoria das condições de trabalho ou aumento de efectivos nas unidades estão entre as actuais necessidades da corporação. Por outro lado, Paulo de Almeida disse que o combate à “gasosa” estará igualmente na agenda, embora considere ser um problema de educação e não deste ou aquele órgão. “Nós estamos a responsabilizar todos aqueles que enveredam por este lado. É um mal que todos nós devemos estar a combater”, concluiu. Entretanto, nos últimos meses, o Presidente João Lourenço descartou a possibilidade da onda de criminalidade vivida em Luanda ter alguma relação com a deterioração da situação social e com o desemprego (ou seja, ligação directa e obrigatória com a pobreza).

“Com esta forma simplista de abordagem estaremos a justificar, senão mesmo a legitimar, o recurso à violência por parte de quem atravessa, por vezes temporariamente, momentos difíceis da vida, o que acontece em todas as sociedade”, afirmou João Lourenço no seu discurso de abertura da II sessão ordinária do Comité Central do MPLA. O líder partidário rejeitou a defesa do princípio de que “ser pobre ou desempregado se é, a partida, um potencial criminoso, um potencial assassino… porque pensar assim é injusto e discriminatório”. Para fundamentar a sua tese, recordou que todos os “grandes homens do país”, a começar por Agostinho Neto, que se destacaram em diferentes áreas de actividade, nas diferentes profissões e áreas do saber, “nasceram e cresceram pobres e não se tornaram, por isso, delinquentes ou criminosos”.