CARTAZ: Cinco eventos perfumaram ano cultural

CARTAZ: Cinco eventos perfumaram ano cultural

Cinco eventos de grande dimensão, designadamente a IX Bienal de Jovens Criadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, a I Bienal de Luanda-Forúm Pan-Africano para a Cultura da Paz, o Colóquio Internacional sobre “Liceu Vieira Dias e o Ngola Ritmos”, o Festival Internacional da Cultura Kongo (Festikongo), e o FESTISUMBE-Festival Internacional de Música do Sumbe, marcaram o ano Cultural em 2019.

O primeiro evento a destacar, nesta retrospectiva, é a IX Bienal de Jovens Criadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) realizada em Junho, no Museu Nacional de História Militar, em Luanda, sob o lema “Juventude da CPLP Unida pela Cultura”.

O certame adoptado pela I Conferência de Ministros Responsáveis pela Juventude e Desporto da CPLP realizada em 1996, em Lisboa, Portugal, reuniu mais de uma centena de jovens criadores desta comunidade. O evento visou entre outros aspectos, contribuir para o reforço do processo de integração da juventude, aproximação e intercâmbio, debate entre as diferentes identidades culturais e artísticas, promover espaços de debate e de refl exão sobre o mosaico de criações artísticas e culturais dos jovens.

A este evento, seguiu-se a I Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz, um evento que reuniu elites africanas, representantes da sociedade civil, autoridades tradicionais e religiosas, intelectuais, artistas e desportistas. O festival realizado sob o signo “Construir e Preservar a Paz: Um Movimento de Vários Actores” juntou 600 convidados internacionais e mil angolanos entre os quais artistas, escritores, académicos, membros da sociedade civil e outros, enalteceu os valores da paz, da cidadania, assim como materializou a aliança dos povos em torno da Cultura da Paz.

O certame contou com a participação de 12 países das seis regiões do nosso continente: Norte de África, África Ocidental, África Oriental, África Central, África Austral e da Diáspora (Américas, Caribe, Europa Ocidental e Oriental, Médio Oriente e Ásia). Durante os cinco dias, os participantes discutiram a situação dos africanos e a promoção de conteúdos que abrangem a educação intersectorial, a diversidade cultural e os valores da paz e tolerância.

Mais de uma dezena de músicos, entre angolanos, sul-africanos, guineenses, namibianos e egípcios partilharam o mesmo palco na Baía de Luanda, no grande show de encerramento daquela que foi a I Edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan–Africano para a Cultura da Paz.

Colóquio Liceu Vieira Dias estudado nas universidades do país Ainda no quadro de realizações do ano cultural, o livro de registos incluiu o Colóquio Internacional sobre “Liceu Vieira Dias e o Ngola Ritmos” no Centro de Estudos da Universidade Católica de Angola, em Luanda.

No recém-realizado colóquio, elementos ligados ao Centro de Estudos da Universidade Católica de Angola e outras instituições de estudo: pesquisadores, académicos, políticos, entre outras entidades, unânimemente, decidiram incluir, proximamente, no sistema de ensino, uma disciplina relacionada a Liceu Vieira Dias, considerado o Pai da Moderna Música Angolana, ao criar o Semba, um género musical nascido da Kazukuta.

A sua importância na música e no nacionalismo é tal que foi evocado no poema de Agostinho Neto “O içar a bandeira” como Herói da Independência, enquanto “Voz Consoladora dos Ritmos Quentes da farra”, “Harmonia Sagrada e Ancestral/Ressuscitada nos Aromas Sagrados do Ngola Ritmos”. Este Semba que muita atenção e curiosidades, e intervenção mereceu dos conferencistas, nos painéis dedicados à criação deste género musical, teve um debate bastante prolongado entre o guitarrista, compositor e cantor, Carlitos Vieira Dias, fi lho do homenageado Liceu Vieira Dias, e o professor e investigador, Jomo Fortunato.

O seu contributo foi fundamental para o esclarecimento de algumas dúvidas que pairavam sobre a origem do Semba que, por sinal, nasceu da Kazukuta. Ainda nesta Conferência Internacional que marcou a celebração do centenário do seu nascimento, contemporâneos do artista deram também o seu testemunho que enriqueceram os debates, e, muito dos quais, alguns especialistas desconheciam. Houve alguma novidade em torno das questões e assim foram aprofundados alguns elementos relacionados à origem do Semba.

Na conferência que se transformou numa Aula Magna, o pesquisador e professor universitário, Jomo Fortunato, falou igualmente do paradigma da modernidade estética da Música Angolana, do percurso do Ngola Ritmos, tendo-o considerado Pioneiro da Modernidade Estética da Música Angolana, no sentido das propostas inovadoras de estilização do Cancioneiro Popular ao revelar-se um dos paradigmas do nacionalismo angolano.

O académico debruçou-se, igualmente, sobre os primeiros encontros e tertúlias que deram forma ao Conjunto Ngola Ritmos, frequentes nas tardes de Sábado e Domingo, e que tiveram lugar no fi nal dos anos 40, na casa do nacionalista Manuel dos Passos, onde se reuniam Liceu Vieira Dias, Domingos Van-Dúnem, Mario da Silva Araújo, Francisco Machado e Manuel António Rodrigues (Nino Ndongo).
Reconhecimento Ao enaltecer a iniciativa do Centro de Estudos Africanos da Universidade Católica, Mateus Vieira Dias, um membro da família de Liceu, considerou o colóquio de extrema importância pelo facto de se ter concentrado também no carácter científi co de pessoas que têm trabalhos publicados sobre o Estudo da Cultura e da Música Angolana e a sua Contribuição no Processo de Criação da Nação Angolana.

Admitiu que os debates foram para além da expectativa pelo facto de os especialistas terem dado suporte científi co às questões e os participantes aprenderam um pouco mais em relação aos assuntos. A reverência ao exímio guitarrista e compositor Liceu Vieira Dias foi também uma forma de fi xação da memória colectiva nacional de reforço da coesão social. Um espaço de discussão sobre a música nacional e um contributo para o fortalecimento da acção dos actores nacionais que trabalham na questão da Cultura Nacional e da Luta de Libertação Nacional.

Festivais É ainda motivo de destaque, nesta retrospectiva, o Festival Internacional da Cultura Kongo (Festikongo) realizado na cidade de Mbanza Kongo, província do Zaire O festival inserido nas festividades do Dia da Cidade de Mbanza Kongo, assinalado a 8 de Julho, incluiu uma série de actividades ligadas às artes plásticas, folclore, gastronomia, dança, teatro, música, moda (indumentária típica daquela região mais a Norte do país) e outras atracções.

O festival contou com a participação de agentes culturais de Angola, Congo-Brazzaville, da República Democrática do Congo e do Gabão, países que integravam o Antigo Reino do Kongo. Recorde-se que Mbanza Kongo, capital do antigo Reino do Kongo, é detentora de um património material e imaterial excepcional.

A cidade foi inscrita na lista do Património Mundial da Unesco a 8 de Julho de 2017, durante a 41.ª sessão do Comité deste órgão, que decorreu na cidade polaca de Cracóvia (Polónia). Esta retrospectiva termina com o retomar do FESTISUMBE-Festival Internacional de Música do Sumbe, interrompido em 2013.

Para a sua concretização, o Governo Provincial do Cuanza-Sul e a promotora de espectáculos LS Produções assinaram este ano, na cidade do Sumbe, um memorando de entendimento para a realização do evento. O festival realizado anualmente nos meses de Setembro, no âmbito do aniversário da província do Cuanza-Sul, a 15 de Setembro, tem movimentado milhares de fãs e dezenas de artistas, entre nacionais e estrangeiros.