Festas de fim de ano “desafiadas” pela crise financeira

Festas de fim de ano “desafiadas” pela crise financeira

O momento de recessão económica que o país atravessa é, segundo alguns organizadores de bailes de fim de ano, um nicho de oportunidade e de negócio, apesar de que para alguns custa muito retirar parte do seu rendimento e apostar numa festa.

Florinda Miranda é uma dessas organizadoras, que preparou a transição de ano com a “Farra de Quintal da Saudade”, uma evento que marca as gerações das décadas de 80 e início de 90, tendo começado a comercializar por 16 mil Kwanzas e disparou à última hora para 22 mil.

“Mais do que lucrar, nós temos um público que regularmente frequenta as minhas festas. Na verdade comercializamos por este valor, por tratarse de um ambiente em que só há hora de começar e sem hora de acabar. Não fazemos publicidade enganosa, quem nos conhece sabe do que falo”, salientou.

Questionada sobre a procura uma vez que o país atravessa um momento difícil financeiro, Florinda Miranda reconhece as dificuldades que cada um passa de uma maneira geral, mas para ela, a escolha por festas são opcionais de modo que quem adere conhece o seu bolso. “Ninguém é obrigado em pagar e ir a uma festa de fim de ano.

As festas são opcionais e quem adere de certeza que terá poupado para esse efeito,
pois é importante que diga que a minha festa não é das mais caras em Luanda, há outras que os preços são os olhos da cara”, desabafa. Porém, manifestou-se satisfeita pela adesão à festa de Quintal, por tratarse de um evento em que os convivas revivem momentos áureos do passado, nos mais variados aspectos, onde além da farra, têm a possibilidade de reencontrar amigos.

Por sua vez, Amarildo Cristóvão “Carbura” diz que o momento de aperto financeiro é um facto. Todavia, não é factor impeditivo para que as pessoas deixem de conviver, manifestar os seus anseios e prosperidade ao ano que entra. “O angolano é um povo batalhador e não sofredor. Já passamos por fases piores e nem por isso, deixamos alguma vez de festejar. As pessoas apesar das dificuldades, precisam exactamente de desanuviar, tirar o stress. E momentos como esses são únicos”, manifestou o organizador do Réveillon do Sequele.

Populares Contactados por “O PAÍS”, a respeito do assunto, o cidadão Miguel Paiva, que deambulava pela rua dos Ministérios em Talatona, disse que vai festejar com a família no bairro da Estalagem em Viana, mas noutras ocasiões festejou na Ilha de Luanda. “Não é exactamente pela crise, é sempre bom poupar é verdade, mas participar numa festa de réveillon não significa que gastamos todos os recursos lá, não é bem assim. Esse ano, vou estar com a família por ser um programa já planificado.

No próximo de certeza não será o mesmo”, ressaltou. Já Laura Samuel confirmou que vai a festa de fim de ano do Áurio Gama, tendo ressaltado que não pôs em causa o valor do ingresso e nem por isso, deixou coisas por fazer. Refere que acautelou-se para o evento e que depois da festa a vida continua.

Ainda assim, angolanos esquecem problemas e aderem em massa as principais festas de fim de ano. Tem sido tradicional a participação em festas de fim de ano (révellion) em vários pontos da cidade de Luanda. A Ilha de Luanda tem sido lugar preferencial para convivas transitarem de ano, depois da visualização do show de pirotecnia na Marginal.