Saúde com “mais oxigénio” em 2019

Saúde com “mais oxigénio” em 2019

A aprovação da Lei Sobre o Transplante de Tecidos, Células e Órgãos Humanos, depois de vários anos de espera, é, sem dúvidas, um dos maiores marcos do sector da Saúde em 2019, atendendo aos benefícios que trará à sociedade.

O referido diploma legal, aprovado a 13 de Agosto, na Assembleia Nacional (com 184 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção), legaliza os actos de colheita de células, tecidos e órgãos de seres humanos, em vida ou depois da morte, bem como o transplante para efeitos terapêuticos. Recorrendo a técnicas médico-cirúrgicas utilizadas no tratamento de determinadas doenças, cumprindo à risca critérios doação, os especialistas poderão salvar a vida de milhares de angolanos que padecem por falta de transplante.

O Estado prevê criar um Centro Nacional de Transplantes, que vai contar com as experiências de Portugal, Brasil e África do Sul, de acordo com a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta. Matadi Daniel, um dos médicos nefrologistas que mais se bateram ao longo dos anos pela aprovação da referida lei, declarou, à imprensa, que para a concretização da colheita de órgãos e tecidos terá que se respeitar o critério de morte cerebral do doador e este procedimento será realizado somente em hospitais que reúnam um determinado perfil.

Entre os maiores beneficiados dessa lei estão os pacientes que padecem de doença renal crónica. A lei, que conta com seis capítulos e 28 artigos, apresenta algumas reservas relacionadas a transfusão de sangue e seus derivados, a doação de óvulos e de esperma, a transferência e a manipulação de embriões, assim como a doação e colheita de células, tecidos e órgãos do corpo humano para efeitos de investigação científica.

Novos centros de hemodiálises
Para alívio dos pacientes com insuficiência renal e os seus familiares, entraram em funcionamento quatro centros públicos de hemodiálise nas províncias da Huíla, Moxico e de Luanda. Na capital do país, contam-se dois: nos hospitais Pediátrico e Geral. Dados do Ministério da Saúde (MINSA) indicam que existe no país mais de mil e 620 pacientes diagnosticados com essa doença e 20 médicos nefrologistas. Entretanto, Sílvia Lutukuta, a titular da pasta, augurou aquando da inauguração do Centro instalado no Hospital Geral de Luanda, que cada centro de hemodiálises tenha pelo menos um especialista.

Segundo ela, com a entrada em funcionamento desses centros públicos o Estado economiza mais de metade dos 15 mil milhões de Kwanzas gastos (equivalente a 10 por cento do Orçamento Geral (OGE), destinados à Saúde), anualmente, em pacientes com insuficiência renal.

Afirmou estar em perspectiva a construção de mais dois ou três Centros de Hemodiálises a nível nacional, bem como o aumento de competências técnicas dos profissionais, a fim de permitir o diagnóstico precoce, para se evitar que os pacientes cheguem aos serviços de atendimento em situação renal crónica e irreversível.

Aumentaram as vítimas da raiva

A celeridade que se registou na distribuição de fármacos para e de técnicos para atenderem a determinados surtos que ocorrem no país não se replicou em relação ao combate à raiva. Só em Luanda, de Janeiro a Setembro do ano findo, foram registados 60 óbitos provocados por mordedura de animais, mais 25 óbitos do que registados de Janeiro a Setembro de 2018, em que foram notificadas 35 mortes.

As principais vítimas foram crianças dos cinco aos 15 anos, de acordo com o director do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, Valdimir Catinda. A raiva é uma doença infecciosa que afecta os mamíferos, causada por um vírus que se instala e se multiplica primeiro nos nervos periféricos e depois no sistema nervoso central e dali para as glândulas salivares, de onde se multiplica e propaga. A transmissão dá-se do animal infectado para um ser sadio através do contacto da saliva por mordedura, lambida em feridas abertas, mucosas ou arranhões.