Governo da Lunda-Norte ordena encerramento de mesquitas

Governo da Lunda-Norte ordena encerramento de mesquitas

Depois da mega operação realizada no ano passado em todos os municípios da província, que resultou na restauração da ordem e tranquilidade públicas, sobretudo ao longo da fronteira e nas zonas de produção diamantífera, desta vez a diagonal operativa da “Operação Resgate” centrou as suas acções na cidade do Dundo, capital da província. Com efeito, no dia 30 de Dezembro, esta comissão ordenou o encerramento compulsivo da Mesquita de Camatundo, na cidade do Dundo, a primeira construída em Angola, em 1974, por exercer ilegalmente a actividade religiosa. Segundo uma cópia do Auto de Encerramento da Comissão de Operação Resgate da Administração Municipal do Chitato, município sede da Lunda-Norte, enviada a OPAÍS, o encerramento da mesquita deveu-se à necessidade de se adoptar medidas administrativas de “normalização da situação para o exercício da liberdade de religião, crença e culto, prevista na Constituição, alega. A mesma nota acrescenta que a comissão multissectorial agiu nos temos da alínea C) do ponto 5 do Decreto Executivo conjuntivo nº 454/18, de 16 de Outubro, pelo que procedeu o encerramento do local do culto dos fiéis muçulmanos. Fonte da Administração do Chitato admitiu que, para além desta mesquita que alberga mais de 400 fiéis, nos próximos dias serão encerradas outras duas, sendo uma no bairro Camaquenzo e outra no Calumbia, também na capital da província.

Apesar de estar instalado no país há mais de 40 anos e exercer a sua actividade religiosa, o islão não é reconhecido pelo Estado Angolano, através do Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos (INAR), adstrito ao Ministério da Cultura, refere a fonte. Informou que com esta última, eleva-se para 40 o número de mesquitas já encerradas pelas autoridades da província da Lunda-Norte, desde 2018. Disse que “a acção não se cinge às mesquitas, mas a todas confissões religiosas sediadas na província que actuam em contravenção à lei”.

“Encerramento ilegal”, diz COIA O secretário provincial da Comunidade Islâmica de Angola (COIA) na Lunda-Norte, António(Ali) Muhaliacunga, contactado por este jornal, descreveu o acto como sendo uma acção ilegal, justificando que a província da Lunda-Norte é a única onde “as autoridades estão a fechar mesquitas”. Ali Muhaliacunga deplorou o facto de a situação prevalecer, desde Fevereiro do ano passado, só nesta província, sendo que nas demais as mesquitas funcionam sem sobressaltos. Além de Luanda, a fonte apontou as vizinhas províncias da Lunda-Sul e Moxico, onde esta medida (encerramento) não existe, tendo confirmado o dado da Administração do Chitato que fala em 40 mesquitas já fechadas.

Disse não compreender a razão de mais um encerramento de um local de culto, depois de ter mantido um encontro com as autoridades, no ano passado, de quem terá recebido garantias para a reabertura das primeiras encerradas desde Novembro de 2018. O responsável defende que haja tratamento igual para todas as religiões, recordando que em Junho do ano passado, devido ao encerramento de mesquitas, muitos muçulmanos (angolanos e estrangeiros) tiveram que se deslocar às províncias vizinhas para passarem o Ramadão, considerado um dos pilares mais importantes do islão. Outros fiéis transpuseram a fronteira indo para a República Democrática do Congo (RDC), para passarem este momento tido como sendo o mais importante na vida de um muçulmano.