Cassange e Ebo juntam-se para lembrar mártires angolanos

Cassange e Ebo juntam-se para lembrar mártires angolanos

Por: Angop

Embora a efeméride tenha a ver com o massacre da Baixa de Cassanje, um acontecimento que, há 59 anos, dizimou milhares de vidas de angolanos e marcou o início da contestação à ocupação colonial, também se deve, por essa altura, realçar a importância do Ebo para a história contemporânea angolana. A batalha do Ebo, em 1974, quebrou o ímpeto do avanço das tropas invasoras e permitiu aos Ex-FAPLA a e internacionalistas Cubanos reorganizarem-se para a contra ofensiva que culminou em Março de 1976, com a retirada de todas as tropas invasoras de Angola. Pelo facto, justifica-se, volvidos 45 anos daquela batalha, que a celebração de um dos maiores marcos da história angolana seja acolhida pela vila do Ebo.

Razões da Sublevação de Cassange Tudo começou quando contratados da região da Baixa de Cassange, agastados com o trabalho forçado e paupérrimas condições laborais decidiram paralisar o cultivo de algodão para a empresa Cotonang. De acordo com historiadores, os únicos rendimentos dos agricultores apareciam no final de cada campanha com a venda obrigatória do algodão à Cotonang que estabelecia preços reduzidos e frequentemente comprava produtos de primeira classe a valores de segunda. Por exemplo, um quilograma de algodão era comprado pela Cotonang a um escudo. Naquele momento, a administração colonial tinha subido o Imposto Geral Mínimo de 250 para 350 esforçado e paupérrimas condições laborais decidiram paralisar o cultivo de algodão para a empresa Cotonang.

De acordo com historiadores, os únicos rendimentos dos agricultores apareciam no final de cada campanha com a venda obrigatória do algodão à Cotonang que estabelecia preços reduzidos e frequentemente comprava produtos de primeira classe a valores de segunda. Por exemplo, um quilograma de algodão era comprado pela Cotonang a um escudo. Naquele momento, a administração colonial tinha subido o Imposto Geral Mínimo de 250 para 350 es que vender pelo menos dez sacos de 50 quilos de algodão, ou era obrigado a contrair dívidas para a amortização na colheita seguinte. A exploração laboral e opressão, aliada ao fim da II Segunda Guerra Mundial e à independência de países africanos, com destaque para o antigo Congo Belga, actual República Democrática do Congo (RDC), cujo território partilha uma fronteira de 2511 quilómetros com Angola, levaram ao surgimento de um amplo e forte movimento reivindicativo levado a cabo pelos camponeses dos centros agrícolas da Baixa de Cassange.

O massacre Segundo testemunhos, em Outubro de 1960, camponeses recusaram receber sementes de algodão para a sementeira seguinte. Na sequência, em Janeiro de 1961, destroem plantações, pontecos e casas, naquilo que ficou designado por “Guerra de Maria”, por ter sido instigada por António Mariano ligado à UPA (génese da FNLA). De acordo com o Boletim Informativo do Governo de Angola publicado na época, os soldados que dispararam naquela manhã, tinham acampado desde as 17 horas do dia 3 de Janeiro, num Domingo, na sede municipal do Quela, e saíram de lá às primeiras horas de 4 de Janeiro. Este acto deu sequência a outros, tais como o do 4 de Fevereiro de 1961, em que um grupo de bravos, melhor organizados, porém, armados de catanas, atacou cadeias e outras posições da Polícia Política Portuguesa (PIDEDGS).

Os sobreviventes remeteram-se à clandestinidade e depois à guerrilha. Um mês depois, entre 15 e 18 de Março, eclodiu outra revolta com ataques às fazendas de café dos Dembos, Úcua, Negage e Nambuangongo. A Baixa de Cassange é uma imensa depressão geográfica com 80 mil quilómetros distribuídos entre Malanje e as Lundas. A Baixa de Cassange compreende as aldeias de Cambo Sunginge, Zungue, Kanzage, Wholo dia Coxi, Santa Comba, Mulundo, Teca dia Kinda, Xandel, Moma, Iongo Milando e Massango (Forte República) nos municípios de Cahombo, Marimba, Cunda Dia Baze e Quela.