Gente para estudar

Gente para estudar

As receitas arrecadadas pelos serviços de hotelaria e turismo de Angola no terceiro trimestre de 2019 caíram para nove mil milhões de kwanzas (18,5 milhões de dólares), uma quebra real de três mil milhões de kwanzas ou percentual de 25%, disse o director do gabinete de Estudos, Planeamentos e Estatísticos do Ministério do Turismo. Assim escrita, a notícia vem de Macau, pelo MacauHub, lá onde sabem o que signifi ca turismo e viver dele também. Acontece que em Angola passou-se o ano a falar de turismo como se fosse assunto ganho.

Ele foram torneios de golfe, navios de cruzeiro, FestiKongo, Bienal de Luanda, FestiSumbe, etc., a isto juntou-se fi lmes promocionais em canais estrangeiros de televisão e nas redes sociais, mas, como se vê, o resultado foi negativo. Há uma palavra que João Lourenço diz desde que iniciou a sua campanha eleitoral: paciência. Pois, parece que o resto do pessoal apanhou a popularidade do Presidente para discursos triunfalistas e absolutistas. Sobre o turismo, faltou esta palavra nos discursos, quer os políticos, quer os empresariais.

Mas os resultados deste ano mostram também que o turismo, tal como o resto da economia, está dependente do Governo, se ele gastar, as receitas sobem. Os operadores do turismo em Angola têm negócios para vender ao Estado, não para operar, de facto, no sector. Apesar de não gostar nada do discurso político sobre o turismo, sobretudo como se abordou no início, devo reconhecer que o Governo fez parte importante, como a questão da política dos vistos e a promoção externa, já os empresários, estes têm que aprender que nos outros países são os operadores quem faz crescer as receitas, porque vivem do turismo, porque sabem o que fazem, porque sabem que turista não é o Estado.

Aqui sobem os preços e baixam a qualidade, não comunicam, não se unem, não criam marcas. Mas talvez o Estado deva comunicar lá fora um novo produto para turismo científi co: o empresário angolano do ramo. É gente para estudar.