Insuficiência renal crónica causa morte de 22 pacientes

Vinte e dois pacientes com insuficiência renal crónica, que se encontravam em tratamento na Clínica de Hemodiálise do Lobito, na província de Benguela, morreram em 2019, consubstanciando um aumento de três casos face ao ano de 2018, revelou a nefrologista Maria Ester Raola Sanches

Em entrevista à Angop, a directora clínica interina daquela unidade sanitária explicou que com a perda da função renal, os doentes, com idades dos 10 aos 80 anos, foram submetidos à hemodiálise no município do Lobito, entre Janeiro e Dezembro de 2019, para abrandar a progressão da insuficiência renal crónica, mas não resistiram às complicações da doença, associadas a malária complicada, hipertensão arterial e diabetes. Apesar destes números, a nefrologista cubana Maria Sanches considera que, se comparada a outras doenças como a malária, o índice de mortalidade da insuficiência renal crónica é “muito” baixo, pelo menos entre os pacientes seguidos pela instituição.

Segundo a médica, boa parte dos doentes renais que procuram a Clínica de Hemodiálise do Lobito, no interior do Hospital Geral da mesma região, chega praticamente em estado de coma, mas, assim que inicia a diálise, as melhorias, em alguns casos, não tardam a aparecer. Para a especialista, a insuficiência renal crónica não tem cura e o tratamento substitui a função do rim, o que garante a sobrevivência do paciente por determinados anos. Por isso, há uma equipa médica multidisciplinar, com cardiologista, endócrino, cirurgião-vascular e psicólogo a acompanhar os pacientes, que ganham mais tempo de vida.

Dos 49 novos pacientes consultados em 2019, 35 foram diagnosticados com a doença renal e entraram em diálise, o que aumenta para 120 o número dos que estão a ser “dialisados”, tendo Maria Sanches ressaltado a experiência local em termos de acompanhamento dos doentes em tratamento durante três ou seis meses para avaliar sua evolução. Ainda informou que vários hospitais enviam diariamente muitos doentes, a partir das consultas externas de medicina geral, cardiologia e endocrinologia, porque reconhecem o êxito do programa de assistência e prevenção desta clínica, na tentativa de evitar a desistência daqueles que já estão em diálise, como, por vezes, acontece, por razões pessoais e familiares. Daí que a nefrologista acredite ser essa uma boa experiência para melhorar a qualidade de vida dos doentes em diálise e que devia até ser seguida por outras clínicas de hemodiálise que funcionam dentro de hospitais públicos.

Prevenção para todos

Dando conta de que os jovens em idade activa lideram os casos de insuficiência renal crónica atendidos no Lobito, a médica aconselha que toda pessoa, sobretudo a população adulta, deve fazer exames de urina para detectar a presença ou não de albumina e também de creatinina no sangue. Outras medidas simples que podem evitar a insuficiência renal passam por comer pouco sal e pouca gordura, evitar alimentos enlatados, beber muita água (pelo menos um litro de água por dia), melhorar as condições higiénicas, combater o lixo e proteger-se da malária, como explica. Contudo, Maria Sanches diz que é possível prevenir o surgimento de uma doença renal. “Aqueles doentes que têm uma deformação do rim ou alguma deformação congénita, se tem dificuldade ao urinar, sangue na urina ou pedra no rim, devem fazer análise, porque estes são factores de risco”

. A doença renal crónica traduzse pela perda, irreversível, da função renal, obrigando os doentes à substituição da sua função através da hemodiálise, um procedimento através do qual uma máquina limpa e filtra o sangue, ou seja, faz parte do trabalho que o rim doente não pode fazer. Gerida pelo Instituto Angolano do Rim (IAR), com o apoio financeiro do Ministério da Saúde, a unidade de hemodiálise do Lobito assiste em média mais de 130 pacientes com insuficiência renal, incluindo crianças a partir dos cinco anos, embora a capacidade de atendimento instalada seja para cerca de 300 pacientes. Trabalham actualmente na clínica do Lobito sete médicos, sendo dois nefrologistas, uma internista e quatro clínicos gerais, aos quais se junta uma equipa de 25 enfermeiros. Além desta unidade do Lobito, os doentes renais podem ainda procurar tratamento no Centro de Hemodiálise do Hospital Municipal de Benguela, o segundo do género instalado nesta província.

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