“Presos da Elisal” vão a julgamento sumário

“Presos da Elisal” vão a julgamento sumário

Na esperança de encontrarem uma saída, os filiados do sindicato dos trabalhadores da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal) tinham agendado para ontem uma reunião com os representantes da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos – Confederação Sindical (UNTA-CS), que teve de ser adiada para amanhã por causa da chuva

Por:Paulo Sérgio

Os seis trabalhadores da Elisal que se encontram detidos preventivamente, desde Sextafeira, por, alegadamente, terem alterado a ordem e tranquilidade públicas, serão julgados sumariamente amanhã, revelou, ontem, a OPAÍS, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia, Hermenegildo de Brito. Os detidos, que integram um grupo de mais de 1000 funcionários dessa empresa, estão em greve desde 23 de Dezembro e são acusados de incentivar a arruaça, da danificação parcial de viaturas da empresa e de agressão a um motorista.

O Sindicato dos Trabalhadores da referida empresa confirmou que os seus colegas serão levados a tribunal, porém, não haviam, até ao final da tarde de ontem, constituído uma equipa de advogados para os defender. O secretário para a área jurídica do sindicato, Moisés Sebastião, declarou a este jornal que tem conhecimento da acusação que pesa contra com os seus companheiros, mas não pode falar sobre tais acusações com propriedade por não ter testemunhado. No entanto, augura por um final satisfatório para eles. “Na medida em que as coisas aconteceram, nós achamos que não é para tanto”, frisou. Acrescentou de seguida que “de acordo com as informações que recebi de alguns colegas, confirma-se que houve agressão física. Entretanto, toda a acção tem uma reacção”.

Para Moisés Sebastião, os seus colegas só praticaram tal acção por terem sido levados a fazê-lo, tendo em conta que já realizaram diversas greves e em nenhuma delas houve detenção e foram acompanhadas pela Polícia Nacional. “Nessa, a pressão foi maior, tendo em conta também as diversas situações que os trabalhadores estão a enfrentar. Passaram a Quadra-festiva com fome. Muitos deles estudam e não conseguiram pagar as propinas”, detalhou, sublinhando que todos esses elementos são motivos de frustração que podem levar as pessoas a ter um comportamento do género.

Declarou que, de princípio, os seus colegas estavam para sair em liberdade provisória horas depois, no entanto, não aconteceu por, alegadamente, o procurador encarregado do caso se ter ausentado da esquadra de Polícia. Por outro lado, Moisés Sebastião manifestou que os trabalhadores estão abertos au diálogo com a direcção da empresa, na esperança de encontrarem uma saída para esta situação. Conforme noticiou OPAÍS na edição de ontem, o problema na Elisal é antigo e os trabalhadores dizem-se cansados de promessas sucessivas sem que sejam atendidas. Só em 2019, registaram-se três paralisações.

A primeira aconteceu no mês de Agosto, numa decisão que surgiu em função do facto de a então direcção da empresa ter a pretensão de liquidar apenas a dívida dos ordenados do mês de Junho, violando um dos pontos constantes no caderno reivindicativo. A segunda, aconteceu no mês de Outubro, com os funcionários a reclamarem de incumprimentos contantes de pontos no caderno reivindicativo por parte da direcção, sendo que, volvidos dois meses, os mesmos problemas voltam à baila. A Elisal tem responsabilidades atribuídas para a manutenção do aterro, assistência técnica aos municípios, bem como a operação de limpeza e recolha dos resíduos sólidos no município do Cazenga.