O quebrar de pontes

Está ao rubro a luta judicial em Angola com o caso do arresto de bens do casal Isabel dos Santos e Sindika Dokolo. E está muito interessante porque, queira-se ou não, há leituras políticas a fazer, ainda que passem apenas pelo novo “paradigma” político no país. As lutas em que entra a política até podem ser violentas e aparentar impossibilidade de se refazer ligações entre os contendores, mas há sempre a possibilidade de se fazer algum tipo de ponte. Tudo depende das vontades envolvidas. A história, porém, tem casos em que os extremos foram até ao fim. Falando de pontes, há outras que nos arreliam mais a vida, como cidadãos, que são as de betão nas estradas nacionais, essas que, ao que se sabe, há muito não têm vistorias e intervenção. Por isso estão a ceder com as chuvas. Há regiões do país praticamente isoladas. No fim de semana, a Huíla viuse quase sozinha, com uma ponte na via que a liga ao Huambo danificada pelas águas e outra na via que a liga à Benguela. Estas são mais preocupantes. Os tribunais e os discursos não as resolvem, é preciso acção técnica. Tal como na Lunda-Norte. Temos um início de Janeiro com pontes a ceder, e todas elas acabam por depender de dinheiro, as reais e as simbólicas. Mas este país não irá a lado algum se não investir nas pontes, que são sempre a forma de se chegar ao outro lugar e o outro lugar chegar a nós.

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