Grevistas da Elisal julgados hoje

Grevistas da Elisal julgados hoje

Seis funcionários da Empresa de Saneamento Básico de Luanda (ELISAL) são julgados sumariamente, hoje, no Tribunal Provincial de Luanda, Palácio dona Ana Joaquina, acusados de arruaça na última greve. Os funcionários reclamavam das constantes faltas de condições de trabalho e do salário do mês de dezembro em atraso, entre outros aspectos

Por:Romão Brandão

Armando Correia Muvulo, Fernando Paulo Correia, Rafael de Sousa, Formoso André Dalas, Manuel Kiluange e Paulo Samunda Adriano são os seis funcionários que vêm acusados de arruaça, depois de terem sido detidos em flagrante pela Polícia Nacional, no passado dia 3 de Janeiro, altura em que reivindicavam nas instalações da empresa, no Cazenga. Na altura da detenção, o portavoz provincial da Polícia Nacional, intendente Hermenegildo de Brito, disse que actos de vandalismo e alteração da ordem pública, bem como o facto de terem danificado alguns dos meios rolantes da empresa, concorreram para que fossem encaminhados para o julgamento sumário. O julgamento, marcado para às 9 horas do dia de hoje, numa das salas do Palácio Dona Ana Joaquina, em Luanda, segundo Henriques Mounda, 2º secretário da comissão sindical, em entrevista ao OPÁIS, não tem razões de ser, porquanto os seus colegas não agiram de forma desordeira e não houve qualquer dano causado à empresa. Aliás, disse, é a empresa que tem causado muitos danos aos funcionários com os constantes incumprimentos no pagamento do salário, uma vez que os trabalhadores precisam de sustentar as famílias,pagar a escola dos filhos, pagar dívidas ao banco, pagar a renda, entre outras obrigações.

“Os colegas estavam eufóricos, os ânimos exaltaram-se e tentavam impedir que entrassem carros na empresa. A empresa decidiu contratar uma empresa privada para substituir os grevistas”, disse. O interlocutor disse ainda que se fala de um carro que teve os vidros partidos supostamente pelos grevistas, o que não é verdade, pois, “o referido carro não estava no local da greve, estava a 500 metros da greve. Isto é, a greve estava no conhecido Embondeiro do Cazenga e, a viatura que teve os vidros partidos estava no Marco Histórico do Cazenga. Ninguém viu quem partiu. A Polícia só prendeu por prender”, sublinhou. Os detidos, que integram um efectivo de mais de 1000 funcionários da empresa que estão em greve desde 23 de Dezembro, estão a ser acusados de incentivar arruaça, de danificação parcial de viaturas da empresa e de agressão a um motorista. Os trabalhadores exigem da ELISAL melhorias das condições laborais, pois executam as suas actividades desprovidos de qualquer mecanismo de segurança. Entre elas consta a alegada falta de luvas, máscaras, botas e uniformes. Na lista de necessidades inclui-se ainda capas para realização de trabalhos em períodos chuvosos.

Problemas de há muito tempo

O problema na ELISAL é antigo e os trabalhadores dizem-se cansados de promessas sucessivas sem que sejam atendidas. Só em 2019, registaram- se três paralisações. A primeira aconteceu no mês de Agosto, numa decisão que surgiu em função de a então direcção da ELISAL ter a pretensão de liquidar apenas a dívida dos ordenados do mês de Junho, violando um dos pontos constantes do caderno reivindicativo. A segunda aconteceu no mês de Outubro, com os funcionários a reclamarem de incumprimentos de pntos contantes no caderno reivindicativo por parte da direcção, sendo que, volvidos dois meses, os mesmos problemas voltam à baila.

Gonçalves Imperial, representante da comissão de gestão da ELISAL, ouvido pela Rádio Nacional de Angola, disse, na altura, que sempre ouve boa vontade de conversar com os trabalhadores que foram informados sobre as razões que estiveram na base do não pagamento do salário e do subsídio de Natal. Sobre os tumultos registados, Gonçalves Imperial disse que a ELISAL não é a única empresa afectada por falta de salários e apelou ao bom censo dos trabalhadores para evitarem actos de rebelião, exortando-os para que regressem aos seus postos de trabalho. “Lamentamos a postura adoptada por alguns trabalhadores que têm partido para um posicionamento de algum modo agressivo, que é contra o estipulado na lei sobre os movimentos sindicais”, disse.