Grevistas da ELISAL em liberdade provisória

Grevistas da ELISAL em liberdade provisória

Até às 16 horas de ontem, os cidadãos Armando Correia Muvulo, Fernando Paulo Correia, Rafael de Sousa, Formoso André Dalas, Manuel Kiluange e Paulo Samunda Adriano, os seus familiares e colegas da Elisal aguardavam pelo início do julgamento sumário, marcado para as 9 horas, na 9ª Secção do Tribunal Provincial de Luanda. Os funcionários da Elisal estão há 4 dias detidos e, ontem, desde o período da manhã estavam sem comer nada, uma vez que a ansiedade tomou conta de si, porque precisavam de saber do veredicto do caso em que são acusados de arruaça.

Segundo Zacarias Jeremias, membro do comité nacional da Central Geral de Sindicatos independentes e Livres de Angola (CGSILA), que acompanha o caso no tribunal, para além do facto de o queixoso, que chegou no período da tarde, estar surpreso porque em nenhum momento soube que o caso chegaria a julgamento, o cidadão, que terá sido supostamente agredido durante a greve, cuja agressão “resultou num arranhãozinho que já curou, não sabia que hoje tinha de estar no tribunal. A Polícia encontrou-lhe em casa e obrigou-lhe a fazer-se presente no tribunal, sob pena de incorrer em desobediência”, conta. “Ele disse que já conversou com os colegas e não iria dar queixa, pois entenderam-se muito bem.

O cidadão não entendeu como é que está a ser contactado para prestar declarações no tribunal como queixoso, pois acha que não é para tanto. Entretanto, o Ministério Público orientou que se instruísse melhor o processo”, falou para o jornal OPAÍS. Para o sindicalista, este é mais um caso de obstrução ao exercício da actividade sindical por parte dos agentes da ordem pública. Ainda assim, conseguiram colocar em liberdade provisória os seis cidadãos, enquanto esperam pela melhor instrução do processo e o consequente julgamento.

Segundo Henriques Mounda, 2º secretário da comissão sindical, em entrevista ao OPÁIS, não há razões de serem julgados, porquanto os seus colegas não agiram de forma desordeira e não houve qualquer dano causado à empresa. “Os colegas estavam eufóricos, os ânimos exaltaram-se e tentavam impedir que entrasse carros na empresa. A empresa decidiu contratar uma empresa privada para substituir os grevistas”, disse.

O interlocutor disse ainda que fala-se de um carro que teve os vidros partidos supostamente pelos grevistas, o que não é verdade, pois “o referido carro não estava no local da greve, estava a 500 metros da greve”. A propósito, o dono do carro esteve no tribunal e também acha que não há razões para que o caso venha a ser julgado. “A nossa Polícia tem de deixar de pensar que colocar alguém na cadeia é uma coisa simples. Eles ficaram privados da liberdade esse tempo todo, por uma acusação cujo queixoso nem sequer tem conhecimento. É triste.”, acrescentou Zacaria Jeremia.

Os trabalhadores exigem da ELISAL, para além do salário de Dezembro e o subsídio de Natal não pagos, melhorias das condições laborais, pois executam as suas actividades desprovidos de qualquer mecanismo de segurança. Entre elas consta a alegada falta de luvas, máscaras, botas e uniformes. Na lista de necessidades inclui-se ainda capas para realização de trabalhos em períodos chuvosos.