UNITA abre ano político 2020 com denúncia de intolerância política

UNITA abre ano político 2020 com denúncia de intolerância política

Por: Constantino Eduardo

A acção, atribuída a efectivos da Polícia Nacional, aconteceu durante a passagem de ano, na comuna da Ebanga, município da Ganda, na sequência de uma operação protagonizada por 15 agentes, acusados de terem efectuado vários disparos. Os disparos, feitos na aldeia de Sacukunde, terão colocado em causa a vida de centenas de moradores, segundo denúncia de um membro do secretariado provincial da UNITA em Benguela, Xavier Belchimor, feita à imprensa nesta segunda-feira, 6.

De acordo com a fonte, há muito que se instalou um clima de instabilidade entre os seus militantes na comuna da Ebanga, por, alegadamente, a zona ser dominada pela UNITA, facto que não estará a agradar o seu arqui-rival político, o MPLA, acusado de usar a Polícia Nacional para intimidar os militantes do seu opositor. “Aquela área tem sido do partido UNITA. Já houve uma situação, há 3 meses, em que os nossos militantes entraram a punho com o administrador comunal, porque este
usou de toda a força possível e deitou abaixo os escombros da UNITA que se estava a reerguer”, refere Xavier Belchimor.

O secretário municipal da UNITA na Ganda, Marcos Cambanda, questionou a motivação da Polícia Nacional, alegando que o seu militante não cometeu qualquer crime que justificasse uma repressão policial com arma de fogo. O responsável associou os disparos ao activismo que Eduardo tem vindo a protagonizar naquela região, uma das que registam mais casos de intolerância política naquele eixo a Sul de Benguela, depois do vizinho município do Cubal.

“Acredito que deve haver já um plano elaborado, porque a Polícia, logo que chegou à aldeia não pesquisou mais, abriu fogo contra o cidadão”, disse o político.
Alvejamento não intencional, diz PN Reagindo à denúncia da UNITA, o comandante provincial adjunto da Polícia, subcomissário Ernesto Haymunye, descartou qualquer intenção dos agentes de alvejar o cidadão, sustentando que as forças policiais se fizeram ao local devido a uma denúncia de alegados actos de criminalidade.

“Não ia falar dele como elemento da UNITA…, mas de um cidadão. Não foi baleado por uma qualquer intenção”, disse. Nesta perspectiva, explicou o subcomissário, o cidadão terá surgido da mata munido de uma flecha na sua zagaia e os agentes, face à manifesta ameaça, e temendo pela vida de um deles, efectuaram os disparos, tendo atingido o cidadão nos membros inferiores. Segundo apurou OPAÍS, o cidadão Eduardo da Cruz recebe assistência médica e medicamentosa no Hospital Geral de Benguela (HGB).

Refira-se que, no que diz respeito a questões de intolerância política na província de Benguela, entre militantes da UNITA e do MPLA, os municípios da Ganda, Cubal, Bocoio e Balombo são os que mais casos registam. A intolerância entre ambas as forças políticas regista-se mais em períodos de eleições, devido à euforia dos seus militantes. Recentemente, o comandante provincial da Polícia Nacional em Benguela, comissário Aristófanes dos Santos, disse não haver casos de intolerância política nesta circunscrição.

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