Trabalho para inscrição de “Cuito Cuanavale” a Património na Unesco arranca este ano

Trabalho para inscrição de “Cuito Cuanavale” a Património na Unesco arranca este ano

A ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, avançou ontem, que os trabalhos investigativos para a criação do processo que permitirá a inscrição de Cuito Cuanavale na lista de Património Mundial da Unesco arrancam este ano no país. Segundo a dirigente que falava em alusão ao Dia da Cultura Nacional, trata-se de trabalhos investigativos e de campo, que possibilitarão a preparação do dossier, para a sua inscrição na lista do Património Mundial.

A inscrição do Cuito Cuanavale como Património Mundial da Humanidade junto da Unesco vai exigir trabalhos de prospeção arqueológica, recolha de depoimentos, inventariação e delimitação das zonas históricas, bem como zonas tampão dos sítios das batalhas. “Os trabalhos tiveram início no ano passado, e este ano faremos a laboração no terreno. O trabalho investigativo documental, e também os de terreno, com as delimitações do sítio, para posteriormente entregar-se,” apontou a ministra.

Desafios

O Ministério da Cultura além do Sítio Histórico do Cuito Cuanavele que o quer inscrever na cena internacional, conta igualmente como desafios para este ano, a elevação do Corredor do Kwanza e as Pinturas Rupestres de Tchitundu Hulo, entre outros bens. A ministra assegurou que o seu pelouro pretende proporcionar uma nova dinâmica no domínio do cinema em Angola, com a participação em eventos nacionais e internacionais, visando melhorar e modernizar a produção cinematográfica e áudio-visual.

Autoridades tradicionais

Piedade de Jesus enalteceu o papel das autoridades tradicionais na qualidade de reserva moral e fiéis conservadores da tradição oral. Daí se ter realizado em 2019 o “3º Encontro Sobre Autoridades Tradicionais” que aprovou as linhas orientadoras que deverão definir as relações com a administração pública. Durante o acto central da efeméride, ocorrido no centro de Animação Artística do Cazenga (Anim’art), onde estiveram presentes várias entidades ligadas ao ministério de tutela, assim como o administrador do Cazenga, a dirigente da Cultura referiu-se à necessidade da preservação e perpetuação das manifestações culturais nacionais, como forma de honrar e prolongar os agentes culturais, assim como transmitir o legado às gerações mais novas.

FENACULT

Por essa razão, garantiu a realização, no ano em curso, da III edição do Festival Nacional da Cultura (FENACULT), considerado como sendo um dos grandes momentos de exaltação da cultura nacional. “Auguramos que seja uma realização integradora, com os diversos produtores e agentes culturais, e que seja igualmente coroada de êxito, por coincidir com a comemoração do 45º aniversário da independência nacional”, enfatizou. Ainda sobre o acto realizado no Anim’art, por ocasião do 8 de Janeito, referiu que se trata de um dos pólos do movimento cultural naquela circunscrição, que tem contribuído para o enriquecimento da identidade da cultura nacional.

GPL Por usa vez, o governador de Luanda, Sérgio Luther Rescova Joaquim, que esteve presente no acto de deposição de uma Coroa de Flores na estátua do saudoso Presidente Doutor António Agostinho Neto, falou da necessidade de investimentos no sector cultural, para torná-lo numa fonte de rendimento e de inclusão social. “A cultura faz parte do dia-a-dia das nossas populações.

E com muita satisfação notamos que as várias formas de manifestação cultural têm em Luanda grande evidência, desde a arte e outros tipos, mas naturalmente impõem-se também muitos desafios em relação à necessidade de maior divulgação, os próprios investimentos nas indústrias culturais, para que seja uma grande alternativa de inclusão social e também de criação de oportunidades para aqueles que fazem da cultura a sua profissão, e até mesmo uma forma de ser e estar”, apontou o governante.

Animação cultural

Durante a actividade foram realizadas várias manifestações culturais, como a demonstração de músicas e danças de Carnaval, de um grupo oriundo do município. Já o Ndimbu Danças de Angola, também desta municipalidade, exibiu a peça “Ritmos e rituais”, através da técnica Pantomima (técnica do uso de gestos ou expressões sem utilizar palavras).

Por sua vez, o poeta Universo Mavambo declamou o poema intitulado “Os mestres não morrem”, onde destacou nomes emblemáticos das várias disciplinas artísticas do país, como o Poeta Maior, António Agostinho Neto, Bonga, as Gingas, entre outros, fazendo jus ao título do seu poema. Uma exposição multicultural composta por peças artesanais, livros académicos e didácticos, bijuterias e roupas africanas também fizeram parte da festa, neste recinto que tem promovido a cultura ao nível do município.

Outras paragens

Em relação às demais direcções provinciais da Cultura, celebram a data com realização de seminários, palestras, feiras de artes e cultura, lançamento de livros e brochuras, ciclo de cinema de produção nacional, exposições fotográficas, espectáculos de variedades, jornadas de teatro e dança, e visitas a locais de interesse histórico-cultural, uma jornada que termina a 24 do corrente.

No Cuando Cubango, o director do gabinete da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, Manuel Franessa considerou que a efeméride deve servir de reflexão para todos pela importância de se proteger e prestar maior atenção aos valores culturais.
A data O Dia 8 de Janeiro foi instituído como o Dia da Cultura Nacional, por força do Decreto n.º 21/86 de 1 de Novembro, do Conselho de Defesa e Segurança, como consequência do importante discurso sobre as bases da cultura nacional proferido pelo Primeiro Presidente de Angola e Fundador da Nação Angolana, Dr. António Agostinho Neto, proferido a 8 de Janeiro de 1976, na sede da União dos Escritores Angolano.