América interrompe construção do gasoduto Nord Stream-2 na Alemanha

A construção do gasoduto, em torno do qual houve muita controvérsia, está prestes a ser concluída. A nova lei americana de facto bloqueia as actividades de empresas europeias, nos Estados Unidos, envolvidas no projecto do gasoduto, se houver subsidiárias no local

O gasoduto North Stream 2, pouco antes do final da construção, está ameaçado pelas sanções dos EUA. Os senadores de ambos os partidos conseguiram incorporar o projecto de resolução de sanções, propostos no Verão, à Lei de Apropriação do Orçamento da Defesa Nacional que rege o orçamento de defesa dos EUA. Agora, não há dúvida que a lei será adoptada. Os autores do projecto, o republicano Ted Cruz, juntamente com a porta-voz do Partido Democrata, Jeanne Sheikhin, falam em sanções destrutivas contra empresas envolvidas (todas são europeias) na construção do gasoduto. Provavelmente, a lei entrará em vigor brevemente, após ser assinada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. As consequências não são claras.

O resultado pode transformar-se numa corrida contra o tempo. O pacote de sanções é voltado, principalmente, para embarcações de assentamentos de tubos pertencentes a empresas europeias. Segundo especialistas, a conclusão do gasoduto requer mais seis a oito semanas. Um papel importante é desempenhado pelas condições climáticas no Mar Báltico. Se a lei entrar em vigor, as empresas envolvidas na construção terão um prazo de 30 dias para interromper o trabalho no projecto. Não está totalmente claro se os trabalhos finais de implantação do pipeline são legítimos. Allseas, cujo navio está sujeito a sanções, disse que não iria se envolver em especulações.

“Sinal fatal”

As sanções de facto bloqueiam as actividades de uma grande empresa europeia na América, onde está localizada uma subsidiária para prestação de serviços de engenharia. Se a Allseas deixar o projecto antes do previsto, a Gazprom terá que procurar uma nova embarcação. Isso pode retardar o trabalho de construção, mas não pára. O Ministério da Economia da Alemanha informou que o Governo alemão rejeita as sanções extra-territoriais dos EUA. As autoridades estão a monitorar de perto o desenvolvimento dos eventos, mas até ao momento não fizeram nenhum comentário. O comité oriental da economia alemã está a reagir profundamente. “Se as sanções forem impostas, isso será uma violação directa à soberania da União Europeia e um sinal fatal para os esforços dos franceses em manter a paz”, disse o presidente do comité, Oliver Hermes.

Política Externa Agressiva

A União Europeia possui todas as licenças necessárias para a construção do Nord Stram 2; as regras relevantes que regem a operação do gasoduto foram aprovadas. “Uma tentativa dos americanos influenciarem a situação é mais do que um acto hostil; esse passo pode prejudicar seriamente as relações transatlânticas construídas na base do respeito mútuo’’. Por muitos anos, o Governo americano luta contra a construção DRde um gasoduto. Segundo os seus argumentos, a Alemanha torna-se dependente da Rússia, prejudica a Ucrânia e, além disso, fornece biliões de lucros à Rússia – dinheiro para uma política externa supostamente agressiva.

Mas os europeus repetem que este projecto é exclusivamente comercial e economicamente benéfico para toda a União Europeia e não precisa de ser transformado numa questão política. Mas os americanos não querem ouvir isso e, por sua vez, estão a fazer esforços ferozes para promover o seu LNG mais caro no continente europeu. No entanto, a retórica direccionada principalmente para a Alemanha contra o Nord Stream 2 diminuiu. Obviamente, foram notado os esforços do Governo federal para mediar o conflito ucraniano e salvar o país de perdas financeiras. Mas os Estados Unidos continuam a demostrar as suas aspirações gigantescas e, por ganhos económicos pessoais, nem levam em consideração os interesses dos seus aliados mais próximos.

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