Deputada Webba aconselha Isabel dos Santos a usar tribunais para recuperar património

Deputada Webba aconselha Isabel dos Santos a usar tribunais para recuperar património

A deputada, que falava a OPAÍS nesta Terça-feira, 7, à margem de uma sessão da Assembleia Nacional, disse que Isabel dos Santos pode reaver os seus bens por via da justiça angolana, numa altura em que há um processo de arresto no tribunal. “A decisão do tribunal é ainda uma medida preventiva e não definitiva, por essa razão”. Segundo a deputada, Isabel dos Santos deve apresentar-se à justiça para defender o seu património e provar que não deve nada ao Estado.

Mihaela Webba entende que a empresária angolana e filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, deve colaborar com a justiça angolana, em vez de alegar perseguição política. Refira-se que em Dezembro do ano passado, o Tribunal Provincial de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais da empresária angolana Isabel dos Santos, do esposo, Sindika Dokolo, e do cidadão português Mário da Silva, além das suas participações sociais em nove empresas.

O arresto consiste numa apreensão judicial de bens e funda-se no receio de perda da garantia patrimonial face ao crédito não pago.

Combate à corrupção

Por outro lado, Mihaela Webba augura que o processo de combate à corrupção e à impunidade levado a cabo pelo Governo possa surtir efeitos para a normalização funcional das instituições e a moralização da sociedade angolana. Apesar de haver sinais animadores nesse sentido, Mihaela Webba diz que os efeitos positivos desta cruzada só passarão a ser sentidos a partir do próximo ano.

“Entendemos que não será em 2020, provavelmente só em finais de 2021”, admite a deputada, que augura também que a fase de recessão económica não se agudize neste novo ano, com a entrada nos próximos dias da nova série da família do Kwanza, e que não estimule a inflação. Ainda sobre a recessão económica que o país vive,desde Junho de 2014, a política da UNITA considera o ano de 2019 como tendo sido difícil para as famílias angolanas. “Foi extremamente difícil ter acesso à água, à energia eléctrica, ao transportes, ao emprego, entre outros”, disse.

Apontou também o espectro de fome no Sul do país, decorrente da seca severa que afecta as províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango, há três anos consecutivos.

Autarquias no centro das atenções

Para se melhorar o actual quadro sócio-económico que o país vive, a deputada da UNITA reiterou que tudo passa pela realização de eleições autárquicas em simultâneo em todo o território nacional. Justificou que uma vez realizadas em simultâneo, todos os municípios e as suas populações teriam os mesmos direitos, deveres, e as mesmas oportunidades de “participação política”. A entrevistada entende a “ participação política” como sendo o acto em que todos os cidadãos nos municípios possam escolher o seu presidente de câmara, que se encarregará de resolver as prementes necessidades das comunidades.