Proibir o Girabola

Proibir o Girabola

O Brasil tem cada ideia!! Agora parece que está a querer implementar umas políticas inovadoras que têm como objetivo estimular os jovens a pararem de fazer sexo. Se pensarmos bem, usar a abstinência como estímulo é um conceito estapafúrdio e ridículo. Seria como proibir a bola para melhorar o futebol. Os políticos na sua vertigem de aparecerem nos jornais e nas televisões a toda a hora acabam sempre por ter atitudes contrárias ao bom senso e esta medida da senhora Damares Regina Alves, a ministra Brasileira da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, é uma delas. Não tem nenhum aspeto positivo: não melhora a vida do povo – até piora bastante; não aumenta a popularidade dos políticos — eu não vou em nenhuma festa contar isso aos meninos; e é contra a natureza humana, e desumana também. É caso para dizer que esta política de espera passiva, até que o amor bata à porta dos meninos e das meninas não tem ponta por onde se pegue. Literalmente. Para defender esta prática, a ministra Damares citou em abundâncias prolixas “uns estudos científicos”, mas sobretudo a teoria em que: a normalização da espera como alternativa para iniciação da vida sexual em idade apropriada é uma coisa boa — considerando ainda as vantagens psicológicas, emocionais, físicas, sociais e econômicas envolvidas – mas que vantagens?! Mas sejamos atentos e nada parvos, aparentemente, parece que esses estudos fazem parte de um propagandear comum muito normal no partido Republicano dos Estados Unidos — e não encontram reflexo em mais alguma evidência científica possível do que aquela que resulta da necessidade de Trump conquistar o voto dos muito fanáticos religiosos americanos que acreditam que dar dinheiro para promover a abstinência sexual antes do casamento é uma coisa digna de alegrias divinas. Um outro estudo – muito científico e independente – elaborado pela reputada “Society for Adolescent Health and Medicine” até prova exactamente o contrário — Prova que os Estados Unidos — que é o país do primeiro mundo onde os políticos mais se metem de cabeça na cama dos cidadãos, é também o primeiro na lista de meninas com gravidezes precoces e doenças sexualmente transmissíveis. Atirar a Moral contra a ignorância é uma arma política muito utilizada porque, infelizmente, é muito eficaz. Proibir comportamentos por decreto, com base em dogmas religiosos, é uma tentação tão fácil quanto perigosa. É Fácil porque produz o efeito imediato desejado: normalizar a sociedade em torno de um aparente bem comum. Perigosa porque tem um contra efeito devastador, ensina a toda a sociedade a mentir.