PGR prende Administrador de Benguela por suspeita de peculato

A Procuradoria-geral da República mandou prender, na manhã de sábado, 11, o administrador municipal de Benguela, Carlos Guardado, por suspeita de peculato e corrupção, soube OPAÍS de fontes judiciais

 

 

Constantino Eduardo, em Benguela

O mandado de captura lavrado pelo Ministério Público contra o timoneiro do município sede da província foi executado por volta das 8 horas pelo Serviço de Investigação Criminal, na residência de Carlos Guardado.

O Ministério Público afirma haver fortes indícios do cometimento dos crime de que vem pronunciado nos autos, daí ter feito uma ‘diligência surpresa’, reflectido no mandado que resultou na sua captura, conforme fontes judiciais.

Segundo as nossas fontes, Carlos Guardado deverá permanecer encarcerado numa das celas do SIC até ser presente ao Ministério Público para o devido interrogatório, facto que deverá acontecer nas próximas 48 horas, a contar do momento da detenção.

Fontes dizem que haverá  mais membros do Governo envolvidos no mesmo processo.

Entretanto, o recorde-se que o subprocurador-geral titular de Benguela, Herculano Chilanda, falara de membros ainda em funções, alguns dos quais gozavam de foro especial, embora não avançasse mais dados alegando ‘segredo de justiça’.

Ainda no quadro do mesmo processo, estará já detido, desde Sexta-feira, 10, João Bernardo ‘Kudy’, antigo director provincial da Hotelaria e Turismo, enquanto funcionário da Administração de Benguela, suspeito dos mesmos crimes.

Contactado pelo OPAÍS, o jurista Hipólito Capingala referiu que a detenção de Guardado é um procedimento normal, nos termos da Lei n.° 25/15, Lei das Medidas Cautelares em Processo Penal, para, em 48 horas, ser apresentado ao Ministério Público, de modo a esclarecer determinados indícios e decidir qual é a medida de coação pessoal a ser aplicada: prisão preventiva ou soltura do suspeito, mediante termo de identidade e residência.

‘Mas a lei prevê a prorrogação de 72 horas até ser presente ao Ministério Público’, sustenta.

Carlos Guardado já era constituído nos autos e, até Sábado, arguido solto, daí que o jurista Domingos Tchilipa desconfie que haja receio fundado, por parte da PGR, de pertubação, obstrução a justiça ou perigo de fuga do arguido.

‘Não haveria razão nenhuma para detê-lo, porque ele é um administrador que está em exercício, não foi exonerado’, argumenta, suspeitando que Guardado tenha sido detido para o Ministério Público formalizar a prisão preventiva ou domiciliar.

O Gabinete Jurídico da Administração Municipal diz estar a trabalhar, em parceria com o jurista Bruno Costa, um dos membros do grupo de advogados, para formalizar a competente defesa.

Conforme noticiou OPAÍS, segundo fontes do Governo, Carlos Guardado, que ainda não foi exonerado do cargo, deverá ser substituído por Adelta Matias, actual administradora do Cubal.

Carlos Guardado torna-se, deste modo, no primeiro administrador municipal em funções a ser detido, por suspeita de peculato e corrupção.

Saliente-se que, quando chegou a Benguela, o governador provincial prometia alinhar-se aos esforços de combate a toda e quaisquer práticas nocivas de gestão da coisa pública, com o peculato a capitanear as atenções.

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