Lucas Ngonda acusado de inviabilizar V congresso ordinário da FNLA

Lucas Ngonda acusado de inviabilizar V congresso ordinário da FNLA

O aludido pacto, assinado em Luanda por membros dos chamados “Grupos dos 6”, liderado por Miguel Pinto, outro por João Nascimento e Carlito Roberto, este último filho de Holden Roberto, teria colocado fim às cisões internas, mas na prática, segundo uma fonte “tudo permanece na mesma”.

De entre os vários compromissos, assinala-se a realização do V congresso ordinário, que deveria ter tido lugar em Dezembro, mas foi adiado por alegadas razões técnicas. A fonte, que faz parte da antiga ala do Grupo dos Seis, avançou a OPAÍS que o adiamento do aludido congresso, não electivo, era uma manobra dilatória do presidente do partido para permanecer mais tempo à frente desta força política. Reforçou que as alegadas condições técnicas avançadas pela comissão preparatória não colhem, numa altura em que faltavam quatro dias para a realização do V congresso, de 12 a 13 de Dezembro.

Para a fonte, entre os vários pontos do “Pacto de Endentimento”, o mais importante é a realização do congresso, donde partiriam novas decisões para se tirar o partido da letargia em que se encontra. Avançou que o presidente do partido, apesar do pacto assinado, não se mostra, na prática, como um verdadeiro reconciliador, acusando-o de ser “manobrador”. Informou que o líder do partido se encontra em França desde Dezembro do ano passado em visita privada, sem o conhecimento da maior parte dos membros, mas apenas de um alegado grupo restrito, em que se destaca o secretário-geral, Pedro Macumbi Dala.

Esta ausência, segundo a fonte, está a inviabilizar o funcionamento normal do partido, tendo em conta os dois compromissos que o partido tem pela frente, as eleições autárquicas e as eleições gerais, em 2020 e em 2022, respectivamente. Refira-se que o congresso decorreria sob o o lema “ Marchemos Juntos para a Harmonização e Coesão do Partido”, e o conclave foi convocado no quadro da Unidade, Reconciliação e Coesão Interna do Partido. Entretanto, uma fonte próxima ao gabinete do presidente do partido informou que Lucas Ngonda está em consulta médica de rotina no estrangeiro e que o partido reúne-se no dia 18 para reagendamento do conclave.

A origem da crise

Esta força política atravessa uma crise de liderança há 22 anos, depois de o actual líder, Lucas Ngonda, na altura secretário para a informação, ter rompido com o presidente-fundador Holden Roberto, criando um alegado movimento reformista no seio deste partido. Ngonda levou consigo um grupo de quadros, entre os quais Paulo Jacinto, Miguel Pinto, Alberto Mavinga, Laiz Eduardo, João Nascimento, Nsanda Wa Makumbu, Carlinhos Zassala, com os quais viria a se incompatibilizar por divergências internas.

A crise de dirigismo agudizouse com o afastamento de Ngola Kabangu, pelo Tribunal Constitucional, que dirigiu o partido entre 2006 e 2008, eleito num congresso democrático. Kabangu concorreu com Miguel Damião e Carlinhos Zassala, mas este último denunciou ter havido irregularidades no congresso, interpôs um recurso ao Tribunal Constitucional, que resultou na invalidação do conclave. O acórdão recomendava a realização de um outro conclave, decisão rejeitada por Ngola Kabangu, por achar que estava a ser injustiçado por este órgão jurisdicional.