Carta do leitor: Cunene e seus sabores e dissabores

POR: Benedito Ekuikui

Prezado director, agradeço pela oportunidade que me é concedida. Escrevo do Cunene, Ondjiva, e é com muita satisfação que narro um dos muitos problemas que aflige os habitantes desta província. Depois de muitos meses de seca severa, a nossa província do Cunene finalmente já recebe chuva moderada e de grande intensidade e com ela os contornos, positivos e negativos. Com a seca, o Cunene comprometeu em 2019 a produção agrícola. E tememos que caso chova com muita intensidade o resultado seja novamente desastroso.

Pois uma boa parte da população vive do campo e da criação do gado. Recentemente algumas vias da cidade estavam intransitáveis dificultando assim a circulação automóvel e de pessoas e bens. Embora seja uma cidade pequena, o lixo e águas paradas, como é de conhecimento de todos, são os principais condutores de vermes e surgimento de insectos provocando desta forma as doenças como as diarreias, o paludismo as infecções etc. A seca originou crise de água e pasto, afectando-nos bastante, desde o começo do fenómeno, em Outubro de 2018.

As autoridades locais e a central têm distribuído meios para acudir à situação da seca, com camiões e moto-cisternas ou reservatórios espalhados pelo território da província, para a distribuição de água às populações, a reabilitação de furos de água, nos município etc . Mas isso só não basta. A seca no Cunene é um fenómeno cíclico, que remonta a 1995. Desde aquele ano, a cada cinco anos vai ressurgindo com intervalos de período de cheia. Com efeito, registou-se seca em 2008, 2011 e 2017, desalojando mais 400 famílias, actualmente realojadas nos barros de Cashila III e Ekuma Nahuma, arredores de Ondjiva. A seca de 2019 foi a mais devastadora dos últimos 24 anos da história do Cunene.

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